Magna Concursos
320607 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: FUNIVERSA
Orgão: IFB

Uma faísca safira, um frêmito de asas, e o minúsculo

pássaro — ou seria um inseto? — some como miragem

fugaz. Reaparece instantes depois, agora num ângulo

melhor. É pássaro mesmo, um dervixe do tamanho do meu

polegar com asas que batem 80 vertiginosas vezes por

segundo, produzindo um zumbido quase inaudível. As penas

da cauda, à guisa de leme, delicadamente orientam o voo em

três direções. Ele fita a trombeta de uma vistosa flor

alaranjada e do bico fino como agulha projeta uma língua

delgada feito linha. Um raio de sol ricocheteia de suas penas

iridescentes. A cor refletida deslumbra como uma pedra

preciosa contra uma janela ensolarada. Não admira que os

beija-flores sejam tão queridos e que tanta gente já tenha

tropeçado ao tentar descrevê-los. Nem mesmo circunspectos

cientistas resistem a termos como “belo”, “magnífico”,

“exótico”.

Surpresa maior é o fato de o aparentemente frágil

beija-flor ser uma das mais resistentes criaturas do reino

animal. Cerca de 330 espécies prosperam em ambientes

diversos, muitos deles brutais: do Alasca à Argentina, do

deserto do Arizona à costa de Nova Scotia, da Amazônia à

linha nevada acima dos 4,5 mil metros nos Andes

(misteriosamente, essas aves só são encontradas no Novo

Mundo).

“Eles vivem no limite do que é possível aos

vertebrados, e com maestria”, diz Karl Schuchmann,

ornitólogo do Instituto Zoológico Alexander Koenig e do

Fundo Brehm, na Alemanha. Schuchmann ouviu falar de um

beija-flor que viveu 17 anos em cativeiro. “Imagine a

resistência de um organismo de 5 ou 6 gramas para viver

tanto tempo!”, diz ele, espantado. Em média, o minúsculo

coração de um beija-flor bate cerca de 500 vezes por minuto

(em repouso!). Assim, o coração desse pequeno cativo teria

batido meio bilhão de vezes, quase o dobro do total de uma

pessoa de 70 anos.

O beija-flor tornou-se a obra-prima da

microengenharia da natureza. Aperfeiçoou sua habilidade de

parar no ar há dezenas de milhões de anos para competir por

parte das flores do Novo Mundo. “Eles são uma ponte entre o

mundo das aves e o dos insetos”, diz Doug Altshuler, da

Universidade da Califórnia em Riverside. Altshuler, que

estuda o voo dos beija-flores, examinou os movimentos das

asas do pássaro. Em virtude da necessidade de sugar néctar

de poucos em poucos minutos, os beija-flores competem

desafiando e ameaçando uns aos outros. Postam-se face a

face no ar, rodopiam, mergulham na direção da grama e

voam de ré, em danças de dominância que terminam tão

subitamente quanto começam.

Internet: http://viajeaqui.abril.com.br (com adaptações). Acesso em 2/12/2011.

Assinale a alternativa correta em relação ao texto.

 

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