Dentro do espaço de meros cem anos, os seres humanos abandonaram sua necessidade biologicamente ordenada de sono adequado – uma necessidade em que a evolução investiu 3,4 milhões de anos aperfeiçoando em prol de funções vitais. A dizimação do sono em todos os países industrializados vem causando um impacto catastrófico sobre a nossa saúde.
O hábito de dormir menos de seis ou sete horas por noite abala o sistema imunológico, mais do que duplicando o risco de câncer. Sono insuficiente é um fator de estilo de vida decisivo para determinar se um indivíduo desenvolverá doença de Alzheimer.
No cérebro, o sono potencializa uma diversidade de funções, incluindo a nossa capacidade de aprender, memorizar e tomar decisões e fazer escolhas lógicas. Ao benevolentemente reparar nossa saúde psicológica, o sono calibra nossos circuitos cerebrais emocionais, permitindo-nos enfrentar os desafios sociais e psicológicos do dia seguinte com sereno autocontrole.
(Matthew Walker. Por que nós dormimos? A nova ciência do sono e do sonho. Trad. Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro, Intrínseca, 2018. Adaptado)
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