Os rios recebem, no seu percurso, pedaços de pau, folhas
secas, penas de urubu
E demais trombolhos.
Seria como o percurso de uma palavra antes de chegar ao
poema.
As palavras, na viagem para o poema, recebem nossas
torpezas, nossas demências, nossas vaidades.
E demais escorralhas.
As palavras se sujam de nós na viagem.
Mas desembarcamC no poema escorreitas: como que
filtradas.
E livres das tripas do nosso espírito.
Manoel de Barros. Ensaios fotográficos. Rio de Janeiro: Record, 2000, p. 21.
Considerando as idéias do poema acima e suas inter-relações com a literatura, a geografia e a história brasileiras, julgue os itens a seguir.
Apesar de, sintaticamente, constituir uma frase nominal, sem verbo flexionado, a idéia expressa no último verso do poema está subordinada à idéia do verbo “desembarcam” (v. 10).