Magna Concursos
64821 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE

Texto I

ILUMINANDO O INVISÍVEL

No fim do ano passado, o Teatro do Oprimido realizou um Festival no Teatro Glória com seus atuais sete grupos populares. Quando digo popular, digo povo; não são artistas interpretando papéis de povo, mas o povo revelado-se artista; moradores de favelas, negros, trabalhadores, empregadas domésticas – improvisam, escrevem e encenam suas obras.

No dia em que se apresentaram as domésticas, no fim do espetáculo, uma das Maria-atrizes chorou depois da cena. Perguntei por quê? Com suas palavras, que não consigo reproduzir, disse:

– Uma empregada doméstica deve ser invisível. Quanto menos seja vista, melhor. Ela põe e tira a mesa, faz a comida e a cama, lava e passa, varre, limpa, cuida das crianças... mas, sobretudo, não deve ser vista nunca. Nós aprendemos a ser invisíveis. Hoje, ensaiando no palco, reparei que um técnico cuidava de que eu estivesse bem iluminada, com a cor adequada. Aprendemos a emudecer; outro técnico colocava um microfone no meu vestido para que minha voz fosse ouvida...

– Isso é tão bom... Por que chorou?

– Porque a família para a qual eu trabalho estava inteira na plateia, no escuro, vendo e ouvindo. No final, aplausos; trabalho para eles há mais de dez anos e acho que foi a primeira vez que me viram e me ouviram. Agora sabem que eu existo. Porque fiz teatro.

Naquele palco, um ser humano invisível foi iluminado. O que mais me comoveu nesse episódio foi pensar em tantos outros invisíveis que nos rodeiam. E, justamente porque não os vemos, o salário mínimo, por exemplo, não nos comove. De repente, alguma coisa acontece: uma luz ilumina os invisíveis. [...]

BOAL, Augusto. Jornal do Brasil, mar. 2000. Augusto Boal é o criador do Teatro do Oprimido.

Veja o trecho: “Nós aprendemos a ser invisíveis.” A palavra “invisíveis” pode ser substituída, sem alteração de sentido, por

 

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