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3018224 Ano: 2008
Disciplina: Português
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
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Leia o texto I para responder o item.

TEXTO I

O DISCURSO MIDIÁTICO

Mídia, informação, cultura de massa e publicidade foram além de suas fronteiras. Não conseguimos mais separar claramente seus domínios!$ ^{(A)} !$.

Havia um segmento de informação (jornal, telejornal, rádio), um segmento de comunicação institucional (publicidade, propaganda, estruturas em empresas e governos), e um de cultura de massa (seriados, novelas, quadrinhos, os livros best sellers, os filmes blockbusters, eventos esportivos, shows em estádios). Esses segmentos se misturaram, em um coquetel que leva texto, som e imagem, para brindar a essência da revolução digital!$ ^{(B)} !$.

Já não sabemos distinguir os domínios de texto, imagem e som. Nem a internet sabe. Não é caso de pouca fé, mas dizer que “está nas escrituras” não é mais suficiente. Além do texto, há também uma demanda por imagem e som. Tenho certeza de que isso aumentaria o número de fiéis.

As mídias se fundem. O grupo Murdoch, o grupo franco-americano Vivendi-Universal (edição musical e cinematográfica editoras, agências de publicidade) e a fusão América On Line (internet) com a Time-Warner (revista, cinema, canais de televisão) são exemplos desse movimento.

As empresas possuem um grande papel no campo da informação. Além do óbvio poder econômico e financeiro, há o poder midiático, descrito por Ignacio Ramonet (professor da Université Paris VII, autor de La propagande silencieuse e diretor de redação do Le Monde Diplomatique) como o “aparato ideológico da globalização”. O poder midiático é a capacidade de aceitação da globalização e tem como aparato, em seu conjunto, o conteúdo dos sites, o que vemos na televisão, o que ouvimos no rádio, o que lemos nos jornais, o que a ficção transcreve.!$ ^{(C)} !$

No presente, informação é mercadoria!$ ^{(D)} !$. Mais do que uma vocação educacional, o intuito é comercial. Embora grande parte da informação seja gratuita, há uma nova relação estabelecida. Antigamente uma empresa jornalística vendia informação aos cidadãos. Hoje uma empresa midiática vende consumidores aos seus anunciantes. A informação não se move conforme os ditames da comunicação mas em função de interesses comerciais. E isso numa velocidade assombrosa. O mundo é instantâneo. Imediato. A “essência” da informação é então de impressões e sensações!$ ^{(E)} !$. O discurso das empresas midiáticas — informação, da publicidade, da cultura de massa — tem retoricamente as mesmas características: a rapidez (artigos breves, frases curtas, títulos de impacto); a simplicidade (vocabulário básico, sintática simples); e elementos de dramatização (riso, euforia, tragédia).

Ramonet destaca que tais características — que são as de um discurso de cultura de massa — são idênticas às do discurso que se dirige às crianças. Falamos brevemente, com simplicidade, de maneira emocional. O discurso de cultura de massa é portanto um discurso infantilizado.

O nível de instrução educacional no mundo está em crescimento. Acredito que essa ascensão, em algum momento, provoque uma reação contra essa infantilização. Mas como combatê-la? Para atacar um discurso de massa usaremos as mesmas armas? Será dente por dente? É melhor abrir o olho.

CORREIA, Luis Adonis Valente. In: Língua Portuguesa, ano II, n. 13, nov/2006, Rio de Janeiro. p. 47 (Corporativo)

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