Magna Concursos
2535490 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: FACET Concursos
Orgão: Pref. Santa Rita-PB
Leia o texto adiante transcrito e, em seguida, responda a questão.
Cuidados com a gramática
Não é somente o povão que maltrata o idioma. Maneirismos de linguagem grã-fina jamais disfarçaram solecismos. Muitas vezes li e ouvi erros elementares cometidos por pessoas que frequentaram ótimos colégios e academias. Algumas estudaram na Suíça. Digamos que tiveram uma educação acima de suas possibilidades.
A ralé falando errado não surpreende. De vez em quando até gosto de escutar. Aí estão os sambas admiravelmente mal escritos de Adoniram Barbosa. Um completo desconhecimento de preceitos gramaticais ou mesmo do significado de certas palavras torna a fala popular muito expressiva e com uma lógica especialíssima. Um compadre meu, homem pobre e quase analfabeto, enviou-me este bilhete, pedindo dinheiro emprestado: “Por favor, mande a quantia de cinquenta reais porque a minha situação é bastante financeira”. Mané Garrincha cometeu outro erro antológico de português. Acabava de chegar da Copa de 58, coberto de glórias e abordado em toda parte pelos caçadores de assédio. Resposta: “Um autógrafo para o povo é muito bom, mas para nós não somos”. Está no filme Garrincha, a alegria do Povo. Joia.
O povo erra bonito porque não faz a mínima força para acertar. O deslize gramatical dói mesmo nos tímpanos quando é cometido com afetação. Isso acontece muito na baixa classe média, que procura falar difícil para demonstrar que é instruída. Maria Adelaide Amaral já escreveu sobre cacoetes das secretárias que atendem telefones para os seus chefes perguntando quem gostaria, quem deseja etc. Elas usam essa linguagem errada e grosseira pensando que estão sendo finas e falando bonito.
Foi o caso daquela pernóstica e ignorante dona de pensão no bairro do Catete, Rio, onde morou Graciliano Ramos. Escandalizando o escritor, mestre da língua, ela gritava para os hóspedes, nas horas de refeições, três vezes por dia: “Podem descerem para comerem!!!”...
Muito pior do que falar ou escrever errado, porém, é adotar o estilo Jânio Quadros, rebuscando a linguagem para evitar erros coloquiais. A gramatiquice é inimiga mortal da clareza, virtude básica em qualquer discurso. Muito cuidado, jovens coleguinhas da escrita: jamais prejudiquem a simplicidade pelo medo de ferir certos dogmas. O nosso idioma é cheio de regrinhas e quem as respeita em demasia acaba seu escravo. Quem escreve não deve esquecer a sábia lição de Luiz Fernando Veríssimo: “a gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda no texto”.
FALCÃO, Aluízio. Crônicas da Vida Boêmia. Ateliê Editorial. São Paulo: 1998.
De acordo com o texto, a qualidade primordial em um texto é:
 

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