Magna Concursos
3039145 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: TCE-RN

Penso que a política tem sempre uma dimensão estética, o que é verdade também para o exercício das formas de poder. A estética e a política são formas de organizar o sensível: de dar a entender, de dar a ver, de construir a visibilidade e a inteligibilidade dos acontecimentos. Para mim, é um dado permanente. É diferente da ideia de que o exercício do poder se teria estetizado em um momento específico.

Há um momento em que é preciso distinguir duas coisas: de um lado, a adoção de certas formas espetaculares de mise-en-scène do poder e da comunidade. De outro, a ideia mesma de comunidade. É preciso saber se pensamos a comunidade política simplesmente como um grupo de indivíduos governados por um poder, ou se a pensamos como um organismo animado.

Na imaginação da comunidade, há sempre esse jogo, essa oscilação entre a representação jurídica e uma representação estética. Mas não creio que se possa definir um momento preciso de estetização da comunidade.

Jacques Rancière. Partilha do sensível. In: Revista Cult, n.º 139, ano 12, set./2009, p. 18 (com adaptações).

Julgue o item, a respeito da organização das ideias no texto acima.

A inserção de vírgula logo depois de “mise-en-scène” preservaria a correção gramatical do texto e tornaria mais explícitas as relações de dependência semântica entre as ideias.

 

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