Penso que a política tem sempre uma dimensão estética, o que é verdade também para o exercício das formas de poder. A estética e a política são formas de organizar sensível: de dar a entender, de dar a ver, de construir a visibilidade e a inteligibilidade dos acontecimentos. Para mim, é um dado permanente. É diferente da ideia de que o exercício do poder se teria estetizado em um momento específico.
Há um momento em que é preciso distinguir duas coisas: de um lado, a adoção de certas formas espetaculares de mise-en-scène do poder e da comunidade. De outro, a ideia mesma de comunidade. É preciso saber se pensamos a comunidade política simplesmente como um grupo de indivíduos governados por um poder, ou se a pensamos como um organismo animado.
Na imaginação da comunidade, há sempre esse jogo, essa oscilação entre a representação jurídica e uma representação estética. Mas não creio que se possa definir um momento preciso de estetização da comunidade.
Jacques Rancière. Partilha do sensível. In: Revista Cult, n.º 139, ano 12, set./2009, p. 18 (com adaptações).
Julgue o item que se segue, a respeito da organização das ideias no texto acima.
Para evitar o uso de muitas preposições no mesmo período sintático e deixar o texto mais conciso e objetivo, a retirada da preposição do termo “em que” preservaria a coerência e a correção gramatical do texto.