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15 DE JUNHO … Fui comprar carne, pão e sabão. Parei na banca de jornaes. Li que uma senhora e três filho havia suicidado por encontrar dificuldade de viver. (…) A mulher que suicidou-se não tinha alma de favelado, que quando tem fome recorre ao lixo, cata verduras nas feiras, pedem esmola e assim vão vivendo. (…) Pobre mulher! Quem sabe se de há muito ela vem pensando em eliminar-se, porque as mães tem muito dó dos filhos. Mas é uma vergonha para uma nação. Uma pessoa matar-se porque passa fome. E a pior coisa para uma mãe é ouvir esta sinfonia:
– Mamãe eu quero pão! Mamãe, eu estou com fome! Penso: será que ela procurou a Legião Brasileira ou Serviço Social? Ela devia ir nos palacios falar com os manda chuva.
A noticia do jornal deixou-me nervosa. Passei o dia chingando os politicos, porque eu também quando não tenho nada para dar aos meus filhos fico quase louca.
(Carolina Maria de Jesus, Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada)
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Basta de desperdiçar comida
Quando se fala em insegurança alimentar no Brasil, frequentemente se aponta o paradoxo de um país que é considerado o “celeiro do mundo” onde milhões de pessoas passam
fome. A rigor, não há contradição: se tantos brasileiros fustigados por um desempenho medíocre da economia nacional
não têm emprego e renda para pagar pelos alimentos produzidos, então outras pessoas ao redor do mundo pagarão.
Tão ou mais chocante é o contraste entre a quantidade
de pessoas que passam fome e a quantidade de comida
jogada no lixo. Não só no Brasil, mas no mundo. Segundo a
ONU, até 828 milhões de pessoas, quase 10% da população
mundial, passam fome. Ao mesmo tempo, cerca de um terço
de todo alimento produzido no mundo é perdido ou desperdiçado – o suficiente para alimentar 1 bilhão de pessoas.
Reduzir as perdas e desperdícios implicaria ganhos
como o aumento da produtividade e do crescimento econômico; mais segurança alimentar e nutrição; e mitigação de
impactos ambientais, em particular a redução da pressão
sobre o uso de recursos naturais (terras e águas) e dos gases
de efeito estufa emitidos pela comida em decomposição. Calcula-se que o desperdício de alimentos seja responsável por
8% a 10% das emissões globais, pelo menos o dobro das
emissões da aviação.
De um modo geral, falta uma maior cooperação entre o
poder público e a iniciativa privada, seja na formulação de
dados e indicadores sobre a perda e desperdício, seja nas
estratégias de redução, seja nas estratégias de resgate e reutilização, seja, por fim, na infraestrutura de compostagem e
reciclagem (para os alimentos inaptos ao consumo humano).
Se tantos brasileiros passam fome, não é por falta de
comida. O Brasil produz abundantemente. O que falta é renda. Além disso, entre produtores, vendedores e consumidores há um imenso desperdício. Neste caso, estão faltando
inteligência, vontade e cooperação.
(https://opiniao.estadao.com.br/, 06.11.2022. Adaptado)
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