Nanotecnologias e sociedade – Superior
A formação de opinião tecnológica pública é algo que envolve enormes interesses. Em especial financeiros. E isso se dá porque tecnologia significa poder. Enorme e desmedido poder para quem a detém e explora e, principalmente, dependência, enredamento e gastos constantes por parte daqueles que serão explorados, já que estes terão que pagar regularmente para poder ter acesso aos benefícios e benesses que essas mesmas tecnologias possam vir a trazer. Isso sem mencionar os impactos desfavoráveis que elas também provocam no meio ambiente. Todavia, mesmo que alguns mais cândidos acreditem que tudo que é tecnológico é bom por essência, como uma espécie de premissa universal, válida e aplicável em todos os casos sociotécnicos, nós já sabemos que desenvolvimento tecnológico não significa necessariamente desenvolvimento humano. Existem tecnologias na atualidade que realmente deslumbram por sua criatividade, engenho e potência, pelo empoderamento que proporcionam, levando os seres humanos ao âmago da matéria, com as nanotecnologias, por exemplo, e também à imensidão do cosmo, com sondas e telescópios, mas essas mesmas tecnologias convivem sem nenhum tipo de constrangimento moral com mazelas humanas e sociais que nos acompanham desde a aurora dos tempos civilizados, como é o caso da miséria, da fome e da desigualdade social. A tecnologia, nesse sentido, não modifica a realidade à nossa volta.
O que pode modificar a realidade e o contexto social é a informação, o esclarecimento e a articulação da sociedade civil perante os contextos decisórios que a envolvem. E, para tanto, é necessário transversalizar, constituir um corpus de conhecimento sem fronteiras baseado na pluridisciplinaridade, humanizando - por assim dizer - essas mesmas tecnologias, trazendo diferentes visões disciplinares à pauta e à agenda de discussões. As nanotecnologias, numa primeira mirada, parecem pertencer às ciências duras, à física, à engenharia - aliás, muita gente ainda pensa assim -, mas transbordam totalmente essas pretensas e arbitrárias delimitações, gerando consequências e desdobramentos importantes na sociedade, no meio ambiente, no mundo do trabalho, nas cadeias produtivas e na própria economia global, já que vêm reestruturá-la totalmente como a nova plataforma tecnológica industrial da atualidade.
QUARESMA, Alexandre. Sociologia, ed. 59, p. 6 (fragmento)
No texto, a expressão “já que”, que ocorre duas vezes, relaciona duas orações,