Leia o texto para responder às questões de números 05 a 10.
Ressacas do Mundial
Confesso não ser assíduo de muito variados desportos. Mas vejo o suficiente na televisão para ter notado uma coisa curiosa. Quase juraria não conhecer outro desporto, quer terrestre, quer aéreo, em que se cuspa tanto como no futebol. Posso estar errado, provavelmente apenas uma impressão. Mas, com exclusão dos aquáticos, onde não se pode notar muito a diferença entre cuspo e água, nos outros parece haver uma vantagem enorme do futebol.
Observem bem um jogo e verão a quantidade de vezes que os jogadores (todos eles, independentemente da origem, nacionalidade ou condição social de partida) cospem para a relva. A princípio, achei ser efeito alérgico, provocado pela própria relva, embora eu, sofrendo de alergias, quando jovem, não cuspia ao jogar na relva. Nem quando, mais velho, me deitava num parque relvado perto de um lago. Depois me pus a pensar. O rugby e o futebol americano também se passam na relva. E nunca vi um jogador de rugby cuspir, mesmo com os protetores que metem na boca. E o golfe? Exceto o radical, como o é o de Luanda, jogado em terreno castanho, sem relva mas sim capim seco, um “green” (verde) transformado em “brown” (marrom), todo o outro se passa naqueles prados verdes que me dão vontade de ser cavalo só para os mastigar. E nunca vi nenhum golfista andar a cuspir na relva onde joga.
(Pepetela. Crónicas Maldispostas, 2015. Adaptado)
As considerações do narrador chamam a atenção para o fato de