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Texto I

Comportamento Geral

Gonzaguinha (1972)

Você deve notar que não tem mais tutu

e dizer que não está preocupado

Você deve lutar pela xepa da feira

e dizer que está recompensado

Você deve estampar sempre um ar de alegria

e dizer: tudo tem melhorado

Você deve rezar pelo bem do patrão

e esquecer que está desempregado

Você merece, você merece

Tudo vai bem, tudo legal

Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé

Se acabarem com o teu Carnaval?

Você deve aprender a baixar a cabeça

E dizer sempre: "Muito obrigado"

São palavras que ainda te deixam dizer

Por ser homem bem disciplinado

Deve, pois, só fazer pelo bem da Nação

Tudo aquilo que for ordenado

Pra ganhar um Fuscão no juízo final

E diploma de bem comportado (...)

Disponível em: https://www.letras.mus.br/gonzaguinha/330922/ Acesso de: 12 dez. 2021.

Texto II

Declaração do forró como patrimônio cultural e imaterial do Brasil legitima a diversidade musical do país

Mauro Ferreira

Enunciado 3348129-1

Reprodução / Capa de disco de 1988

♪ ANÁLISE – A declaração do forró como patrimônio cultural e imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) fez justiça na quinta-feira, 9 de dezembro de 2021, a um universo musical tão importante quanto o samba para a construção da identidade sonora do Brasil.

Por visão etnocêntrica carioca, o samba sempre foi apresentado como o “ritmo nacional”, porque a cidade do Rio de Janeiro (RJ) é percebida como a capital cultural do Brasil.

É assim que o mundo vê a música do Brasil, embora a recente visibilidade planetária do funk esteja reconstruindo essa identidade musical que foi criada nos anos 1940 – com a ascensão nos Estados Unidos da cantora Carmen Miranda (1909 – 1955), voz do samba que acabou propagando a rumba no mercado norte-americano – e alicerçada com a explosão da Bossa Nova nos EUA a partir de 1962.

Só que, dentro das fronteiras do Brasil, o forró sempre foi tão importante quanto o samba. Com a diferença de que, a rigor, forró nunca foi um gênero musical como o samba. Forró é rótulo genérico que designa diversos gêneros musicais nordestinos, como baião, xaxado, xote e quadrilha – ritmos recorrentes na obra de Luiz Gonzaga (1912 – 1989), grande pilar da música da nação nordestina.

Forró também pode ser o coco ou o rojão cantado por Jackson do Pandeiro (1919 – 1982), rei do ritmo, também dono de obra referencial na música do nordeste do Brasil.

Contudo, forró é festa regada à alegria, dança e sensualidade em que se canta e toca até samba. Sacramentada dez anos após ter sido apresentada em 2011 pela Associação Balaio do Nordeste e pelo Fórum Forró de Raiz da Paraíba, com apoio de mais de 400 artistas que se manifestaram através de abaixo-assinado, a declaração do forró como patrimônio cultural e imaterial do Brasil faz jus à diversidade cultural desse país de dimensão continental.

A música do Brasil precisa ser compreendida a partir dessa imensa riqueza e variedade. Artistas nordestinos não são artistas “regionais”. São artistas do Brasil, porque o forró – tanto a música quanto a festa – anima todo o país e é e sempre foi de fato e de direito um patrimônio nacional.

Disponível em: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2021/12/10/declaracao-do-forro-como-patrimonio-cultural-e-imaterial-do-brasil-legitima-a-diversidade-musical-do-pais.ghtml Acesso de: 12 dez. 2021.

No seguinte fragmento do Texto II:

“(...) a declaração do forró como patrimônio cultural e imaterial do Brasil faz jus à diversidade cultural desse país de dimensão continental.”, o acento indicativo de crase foi empregado devido à

 

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