TEXTO III
SOMOS SÓ PARTE DA IMENSA DIVERSIDADE
Protagonista do filme “Colegas”, que estreou sexta, fala da vida com a síndrome de Down e de como se sente igual a todos.
Protagonista do filme “Colegas”, do diretor Marcelo Galvão, o ator Ariel Goldenberg, 32, se define como um “guerreiro”. E ele é. Guerreiro down, diga-se. Down de síndrome de Down mesmo.(...)
O sonho do guerreiro, agora é se firmar na carreira de ator (pensa em atuar em uma novela) e estudar para se tornar diretor também.
Abaixo, entrevista de Goldenberg, em que revela o segredo de seu sucesso e dá dicas sobre como os pais de crianças com Down podem ajudar seus filhos.
Como você avalia o seu desempenho no filme?
Eu dei a minha alma para que o Stallone expressasse a realidade de um down que luta para materializar seus sonhos. Stallone sou eu. Tenho orgulho de dizer que fizemos o filme todo em um take só. Gravamos direto, não houve a necessidade de refazer cenas porque os atores se esqueceram do texto, ou porque não colocaram verdade nos personagens.
Você alguma vez se sentiu discriminado por ser down?
Uma vez. E foi, por coincidência, em um cinema. Eu e a Rita estamos acostumados a ir ao cinema toda sexta-feira. Sempre fomos tratados com respeito, mas, naquele dia, o gerente se recusou a aceitar que pagássemos meia-entrada, que é um direito assegurado aos downs. Ficou claro que ele não nos queria lá. Me subiu o sangue na hora.
Como você conheceu a Rita?
Entrei no site “Grandes encontros”, que é uma sala de bate-papo para pessoas com deficiência, e a encontrei. O que ela tem de mais? Nada. Apenas uma alma pura e os olhos azuis bonitos. Casamos nos rituais judaico, religião da minha família, e no católico, da família da Rita.
Você se sente um cara diferente das pessoas comuns?
Não. Eu me sinto igual a todo mundo. Nós downs perante a sociedade somos downs, mas, perante Deus, somos normais. É claro que eu sei que temos uma cópia a mais do cromossomo 21. Mas todo dia nasce um bebê torto, ou loiro, ou moreno, ou mais inteligente ou menos. Nós somos apenas parte da imensa diversidade dos seres humanos. Por isso, somos normais.
E ter filhos, você e a Rita não planejam?
Não. Porque dá muito trabalho formar um filho com a síndrome. E há a probabilidade muito grande de termos um filho com a síndrome. Eu não quero arriscar.
CAPRIGLIONE, Laura. Folha de São Paulo. 04 de março de 2013.
“T enho orgulho de dizer que fizemos o filme todo em u m take só. Gravamos direto, não houve a necessidade de refazer cenas porque os atores se esqueceram do texto, ou porque não colocaram verdade nos personagens.”
Assinale a alternativa que apresenta uma inferência adequada a respeito do excerto acima.
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