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1309682 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: IESES
Orgão: PM-SC
Provas:
Leia o texto a seguir para responder a questão
A PRESENÇA DO ÓBVIO
Por: Chico Viana. Disponível em: http://revistalingua.uol.com.br/textos/blog-ponta/a-presenca-do-obvio-301974-1.asp
Acesso em 28 de Novembro de 2013
Ao escrever, deve-se em princípio fugir do óbvio. Nada irrita mais o leitor do que se deparar com informações que ele já conhece ou pode facilmente deduzir. Elas parecem que estão no texto para "encher linguiça" e completar o número de linhas.
O óbvio está, para o conteúdo assim como o clichê está para a forma. É um lugar-comum mental. Indica pobreza de ideias mais do que de estilo e concorre para baixar a informatividade. Dizendo o que todos já sabem, o redator dá a entender que não tem um pensamento próprio. É uma espécie de "maria vai com as outras" (escrito agora sem hífen, em razão dessa esdrúxula reforma ortográfica).
São óbvias afirmações como as de que "o Estado deve promover o bem-estar dos cidadãos", "o capitalismo aumenta a desigualdade social", "o homem precisa continuamente rever os seus conceitos" etc. etc. Informações desse tipo, de tão batidas, nada acrescentam ao que o leitor já sabe.
Mas nem tudo no óbvio é inútil. A evidência que ele representa pode ter valor argumentativo, ou seja, servir de reforço a um ponto de vista. Existe um nome para esse recurso: argumento de presença. Por meio dele se realça uma verdade indiscutível, um conceito ou ideia que as pessoas devem ou deveriam ter em mente.
Esse tipo de argumento aparece, por exemplo, nesta passagem da redação de um aluno: "A adolescência é uma idade de conflitos e insegurança, por isso o adolescente deve ser orientado em suas escolhas". O que ele afirma na primeira oração não é novidade. Psicólogos, pedagogos, terapeutas (e os pais, pelo que experimentam em casa!) sabem que os conflitos e a insegurança em boa medida caracterizam o universo mental dos adolescentes.
Geralmente quem formula o argumento de presença não o faz apenas para "dizer de novo" o que já se sabe. Procura associá-lo a outros recursos argumentativos. No exemplo que acabamos de mostrar, a verdade enfatizada pelo estudante serve de reforço ao apelo que ele faz na segunda oração (no sentido de que se devem orientar os indivíduos nessa faixa de idade).
Por que precisamos trazer à tona o óbvio? Porque o ser humano comumente se alheia de princípios que não poderia nem deveria esquecer. Isso o leva a negligenciar deveres, distorcer valores, praticar injustiças contra si ou contra os outros. Repetir antigas verdades é sempre uma forma de chamá-lo à razão.
Chico Viana é professor de português e redação. www.chicoviana.com
Analise as proposições a seguir e em seguida assinale a alternativa que contenha a análise correta sobre elas.
Após ler o texto, pode-se inferir corretamente que:
I. O autor não aprova a reforma ortográfica.
II. A repetição do óbvio, quando bem utilizada, deprecia o texto.
III. As pessoas em geral são conscientes de princípios que as tornariam melhores.
IV. O argumento de presença não é bem visto pela maioria dos leitores.
 

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