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729619 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: Câm. Içara-SC
Texto: As flores do barão
O barão Georg Heinrich Langsdorff, botânico e naturalista a bordo do Nadeshda, nau russa comandada por Adam Krusenstern, deitou os olhos sobre a Baía Norte da Ilha de Santa Catarina em 18 de agosto de 1803, âncora lançada entre o Estreito e a Ilha.
Registrou assim o seu primeiro encontro com a Ilha e com o vento sul que açoitava as velas do barco, sob a luz de um sol anêmico de um dia seminublado:
“A floração, tão variada em cores, tamanho, constituição e variedade, exala na atmosfera da ilha um perfume indizível, um aroma muito agradável, que a cada inspiração fortifica o corpo e vivifica o espírito”.
Mas nem só de flores viveu o barão Langsdorff. Mulherengo de ofício, não deixou de registrar a presença do belo sexo na Ilha, aproveitando-se da circunstância de que conhecia e falava muito bem a língua portuguesa. Servira como médico voluntário em Lisboa, atendendo tropas inglesas em guerra contra os espanhóis, e falava um português mais do que razoável.
Seu olho para as mulheres ia muito além do mero interesse científico: “As representantes do sexo feminino, aqui, não são feias. E entre as mulheres de classe mais alta estão algumas que, mesmo na Europa, teriam motivos para se firmar como beldades”.
Sobrevive até hoje a descrição da mulher da Ilha pelo “louco-galante”, botânico que não amava apenas as flores do mundo vegetal, mas essas outras flores de carne e osso, pernas, bocas e olhos:
“Na maioria são de estatura média, bem constituídas, de cor castanha (basané), se bem que algumas são muito claras, têm fortes cabelos pretos, olhos escuros e sensuais. Acresce que essas portuguesas recebem com muita gentileza os seus hóspedes e, em geral, não vivem retraídas ou confinadas, como na sua terra natal, onde as damas vivem o ano inteiro enclausuradas, espiando os visitantes pelo buraco da fechadura. Aqui não faltam pequenas intrigas de amor. E os presentes europeus, como fitas e brincos, são gratamente recebidos”.
Hummmm… Esse barão galante, já se viu, era louco, mas não era burro.
Gostou do vento sul e das mulheres da Ilha – explosiva mistura, em meio ao fru-fru e o roçagar das anáguas que se arrastavam pelo Largo da Matriz.
RAMOS, Sérgio da Costa. As flores do barão. Diário Catarinense,
Florianópolis, 16 ago. 2015. p. 6.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ), com base no texto apresentado.
( ) Em “… deitou os olhos sobre a Baía Norte…” (1º parágrafo), o verbo “deitar” pode ser substituído pelo verbo “lançar”, também no pretérito perfeito do modo indicativo, sem alterar o significado do texto e sem prejudicar a norma culta da língua portuguesa escrita.
( ) O “que”, em “…com o vento sul que açoitava as velas do barco…” (2º parágrafo), é um pronome relativo que pode ser substituído por “o qual”, sem alterar o significado do texto e sem prejudicar a norma culta da língua portuguesa escrita.
( ) A forma verbal “açoitava” (2º parágrafo) está no pretérito perfeito do indicativo por tratar-se de uma ação inacabada no momento a que se refere a narração.
( ) “Sol anêmico” tem sentido denotativo.
( ) A preposição “de” é usada após o verbo aproveitar(-se) (4º parágrafo) porque este verbo é transitivo direto e indireto, além de pronominal.
( ) As reticências, em “Hummmm…” (penúltimo parágrafo), são usadas porque o autor do texto enveredou para o chiste ou para a ironia.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
 

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