Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
— O que espreme as lágrimas do coração de Iracema?
— Chora o cajueiro quando fica o tronco seco e triste. Iracema perdeu sua felicidade, depois que te separaste dela.
— Não estou eu junto de ti?
— Teu corpo está aqui; mas tua alma voa à terra de teus pais e busca a virgem branca, que te espera.
(...)
Sorriu em sua tristeza a formosa tabajara:
— Quanto tempo há que retiraste de Iracema teu espírito? Dantes, teu passo te guiava para as frescas serras e alegres tabuleiros: teu pé gostava de pisar a terra da felicidade, e seguir o rasto da esposa. Agora só buscas as praias ardentes, porque o mar que lá murmura vem dos campos em que nasceste.
(...)
— A voz do guerreiro branco chama seus irmãos para defender a cabana de Iracema e a terra de seu filho, quando o inimigo vier.
A esposa meneou a cabeça:
— Quando tu passas no tabuleiro, teus olhos fogem do fruto do jenipapo e buscam a flor do espinheiro; a fruta é saborosa, mas tem a cor dos tabajaras; a flor tem a alvura das faces da virgem branca: Se cantam as aves, teu ouvido não gosta já de escutar o canto mavioso da graúna, mas tua alma se abre para o grito do japim, porque ele tem as penas douradas como os cabelos daquela que tu amas!
José de Alencar. Iracema. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, s/d, p.169-71.
O trecho acima, da obra Iracema, apresenta o diálogo entre o português Martim e sua esposa indígena Iracema. A partir dele, julgue o item.
A literatura indianista de José de Alencar, mais que informar o leitor acerca da natureza local, colaborou para formar a consciência do público leitor acerca do atraso do país em relação à civilização europeia.