Desenvolvimento religioso do adolescente
No trabalho do pesquisador James Fowler sobre o desenvolvimento da fé, os estágios da maturidade religiosa pode ser mais bem compreendido. James Fowler se valeu dos conceitos formulados por Jean Piaget e por Erik Erikson sobre a estrutura do desenvolvimento cognitivo humano, tomando no sentido dinâmico de impulsionar para uma evolução subsequente em direção à maturidade, e os relacionou ao desenvolvimento da fé, o que ele denominou de Estágios da Fé, classificando-os em sete fases.
Ele se deteve à terceira fase, chamando-a de Estágio da Fé Sintético-Convencional, a qual corresponde à faixa etária da adolescência entre 12 e 18 anos, quando a pessoa é capaz de sintetizar valores e crenças como forma de sustentar um sistema de ideias nas quais se baseiam sua identidade, quando amplia seu mundo para além da família. E a fase do pensamento operacional formal, quando a relação com Deus é estabelecida por meio de símbolos e rituais, imagens e valores.
Esse é o estágio típico da adolescência, um período marcado principalmente pela ampliação das experiências cotidianas, na escola, com amigos, a mídia, a religião e espaços como o trabalho etc.; quando a pessoa busca se sintonizar com as expectativas dos outros com respeito a ela, por não possuir uma segurança sobre sua identidade. As relações interpessoais são marcadas por contradições, conflitos de aceitação e rejeição, inclusive em relação a Deus.
Os adolescentes são considerados menos religiosos que os adultos. Em função do desenvolvimento do pensamento abstrato, eles passam a ter um conceito de Deus mais espiritualizado, representado sob diversas formas e não um ser dogmático-teológico, como pregam as tradições religiosas, por isso, o adolescente não alcança uma relação pessoal com o Transcendente, apesar de já ter adquirido um desenvolvimento psicoafetivo. O que determina isso é o fato de não haver possibilidade de enfrentamento, o que "torna o processo de esclarecimento e articulação pessoal mais lento", segundo o psicanalista espanhol Antônio Avila.
A adolescência é um tempo marcado pelas cobranças, dúvidas e diversidades de atitudes frente ao religioso e por uma pluralidade de imagens e conceitos de Deus, além dos conceitos religiosos como a "vida pós-morte", assim também, a crítica às proibições feitas pelas instituições religiosas. Os vestígios de crítica e ruptura dos adolescentes com as crenças começam em torno dos 11 anos, porém, de forma velada ou inconsciente, o que pode complicar "a articulação de um conceito adulto de Deus·. São dúvidas que costumam ter origem em fatores como a integração entre conhecimento religioso e conhecimento científico, a integração entre a vivência da instituição religiosa e a ausência de Deus, no sentido afetivo e pessoal, ou ainda, numa frágil religiosidade familiar.
(FONTE: Diálogo, revista de ensino religioso. 2012. pp. 24/25.)
O Estágio da Fé Sintético-Convencional em que se encontra o adolescente caracteriza-se: