Prima-irmã da computação
Há pouco tempo a IA era vista como ficção científica, sua história se confunde com a da própria computação. O britânico Alan Turing (1912-1954), conhecido como pai da computação, foi um dos pioneiros na área. O desenvolvimento da IA começou na década de 1950. Em 1956, um grupo de pesquisadores, entre eles os americanos Nathan Rochester (1919-2001), da IBM, Claude Shannon (1916-2001), o pai da Teoria da Informação, e John McCarthy (1927-2011), se reuniu em uma conferência no campus da Dartmouth College, nos Estados Unidos. Neste encontro, McCarthy alcunhou o termo inteligência artificial, definindo-o como “a ciência e a engenharia de produzir máquinas inteligentes”.
A partir deste evento, as primeiras pesquisas e resultados usando IA começaram a surgir. Em 1959, aparece pela primeira vez o termo machine learning para se descrever um sistema que permitia aos computadores aprender alguma função sem serem programados diretamente para isso. De uma forma simples, a máquina após o aprendizado – que seria fornecer dados de entrada para um algoritmo – seria capaz de executar a tarefa de forma automática.
Décadas depois, no entanto, observou-se que os avanços não estavam acontecendo na velocidade que se imaginava. Os pesquisadores pioneiros de IA acreditavam que em, no máximo uma geração, as máquinas teriam a mesma capacidade intelectual que os humanos, o que não se realizou. Essa frustração trouxe períodos de baixo investimento na área, que logo eram retomados, muitas vezes impulsionados pelas evoluções tecnológicas nos computadores.
A vitória da máquina
Nos anos 1990, com o surgimento da internet comercial, a IA sofreu um novo impulso ao ser usada para o desenvolvimento de sistemas de navegação. O protótipo do que seria hoje o Google surgiu nessa época como uma ferramenta baseada em programas que analisavam os dados da rede e os classificavam em grupos de interesse predeterminados. Nesse período também, foi desenvolvida uma máquina para jogar xadrez: o Deep Blue era capaz de analisar todas as possibilidades e, assim, prever respostas e o melhor movimento das peças do jogo. Venceu uma partida contra o campeão do mundo, o soviético Garry Kasparov. Foi a primeira vez que uma máquina derrotou um humano, mas na série de partidas o enxadrista levou a melhor.
Daí em diante, foram muitos os avanços tecnológicos que provocaram um aumento exponencial de aplicações da inteligência artificial. A automação de processos, que são operados por “robôs” na indústria; sistemas inteligentes analisam imagens para reconhecer padrões e auxiliar os médicos na tomada de decisão de diagnósticos; os assistentes pessoais como a Siri e a Alexa que interagem com o usuário de smartphones; os jogos digitais que aprendem o comportamento do jogador; os veículos autônomos e muitas outras tecnologias que fazem parte de nosso dia a dia.
Fonte: PRADO, Charles. Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Revista Ciência Hoje. Novembro de 2019. Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/a-era-da-inteligencia-artificial/. Acesso em: 24 de junho de 2023.
No fragmento do texto “Nesse período também, foi desenvolvida uma máquina para jogar xadrez...”, a oração em destaque está na: