Para responder a questão, tenha como base o texto que segue:
Do fundo do meu baú empoeirado, ao lado dos livros de Kipling.
MEMÓRIA DE ELEFANTE
No seio misterioso da floresta indiana, vivia um caçador chamado Ky Shakhana. Um dia ele avistou um pobre paquiderme deitado ali no chão, ferido, enorme, inerme. Shakhana aproximou-se e, num sublime impulso, sentiulhe a febre ardente, então tomou-lhe o pulso. Foi quando viu o pé do agônico elefante a farpa que lhe causava a dor alucinante. Rapidamente Ky, num gesto habilidoso, logo extirpou-lhe o imenso espinho doloroso. Depois, com agilidade e competência inata, vinte quilos de sulfa aplicou-lhe na pata. Enrolou-lhe no artelho um band - aid gigante e por fim ministrou-lhe um galão laxante. Afastou-se o bichinho, feliz e curado, deixando do purgante o rastro almiscarado.
Muitos anos passaram. Já velho, Shakhana retornava alquebrado à sua cabana. Mas eis que da floresta vem de supetão um elefante em fúria que o joga no chão. Levanta a pata enorme sobre o rosto arfante. Logo Ky reconhece: “É o mesmo elefante!” Pois vê nítido e claro, frente ao seu nariz, o band-aid em farrapos e a cicatriz. O elefante sorri e olha com amor bem no fundo dos olhos do seu salvador, como se lhe dissesse com a pata no ar. “Ah! Me lembro de ti! Como não recordar... Foi teu gesto gentil que salvou minha vida, aliviando-me a dor, limpando-me a ferida! Não existe elefante que disso se esqueça.” E depois, sutilmente, esmagou-lhe a cabeça.
MORAL: O elefante é como alguns políticos: tem muita memória, mas nenhum caráter. Jô Soares
A frase “Não existe elefante que disso se esqueça”, poderia sem alteração de sentido, ter sido assim redigida: