Kishimoto (1999) apresenta reflexões sobre “jogo, brinquedo, brincadeira e a educação”. Indaga: como reunir numa mesma situação o brincar e o educar, se o primeiro é dotado de natureza livre e o segundo busca resultados?
Analisa a abordagem desse tema por diversos paradigmas em diferentes contextos histórico-culturais, destacando os paradigmas de Bruner e de Vygotsky que partem de pressupostos sociais e da linguística e que oferecem novos fundamentos teóricos ao papel dos brinquedos e das brincadeiras na educação pré-escolar. Nessa discussão, Kishimoto afirma:
I. a utilização do jogo potencializa a exploração e a construção do conhecimento, por contar com a motivação interna, típica do lúdico, mas o trabalho pedagógico requer a oferta de estímulos externos e a influência de parceiros bem como a sistematização de conceitos em outras situações que não jogos;
II. as brincadeiras tradicionais infantis incorporam a mentalidade popular e, enquanto manifestações livres e espontâneas que são, não cabem em situações de aprendizagem na educação infantil, em contextos institucionais;
III. a inclusão das brincadeiras de faz de conta nas propostas pedagógicas justifica-se por sua importância no desenvolvimento da função simbólica, alterando significados e criando novos;
IV. os jogos de construção, cujo criador foi Fröebel, têm grande importância para estimular a criatividade e desenvolver habilidades na criança. Eles têm estreita relação com o faz de conta, pois, por meio deles, as crianças constroem cenários para as brincadeiras simbólicas;
V. o brinquedo educativo, objeto suporte de brincadeira, tem sido valorizado, de forma exagerada e errônea, na educação infantil, pois muitos professores preferem “soltar as crianças com brinquedos” ao invés de ensinar conteúdos a elas, utilizando o brinquedo para premiar as crianças que se aplicam.
Corresponde a afirmações da autora o contido em