O rumor crescia, condensandose; o zunzum de todos os dias acentuavase; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto!$ ^{a)} !$ que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavamse* discussões e rezingas**; ouviam-se gargalhadas!$ ^{b)} !$ e pragas; já se não falava, gritavase. Sentiase naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir!$ ^{c)} !$, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.
Da porta da venda que dava para o cortiço iam e vinham como formigas; fazendo compras.
Duas janelas do Miranda abriramse. Apareceu numa a Isaura, que se dispunha a começar a limpeza da casa.
Nhá Dunga! gritou ela para baixo!$ ^{d)} !$, a sacudir um pano de mesa; se você tem cuscuz de milho hoje, bata na porta!$ ^{e)} !$, ouviu?
Aluísio Azevedo, O cortiço.
Constitui marca do registro informal da língua o trecho