Causas e Soluções para as Drogas
Valvim M. Dutra
A primeira questão que o governo precisa descobrir, para obter sucesso no combate ao uso e ao tráfico de drogas, é saber quem é causa e quem é consequência.
A questão principal é: usa-se drogas porque elas estão à venda?... Ou vende-se drogas porque existe a procura?... Se o governo descobrir e concentrar os esforços diretamente sobre as causas, as consequências também cessarão.
Analise o exemplo a seguir e talvez ele nos ajude a descobrir as respostas corretas: Imagine um jovem pobre, com pouca instrução, morador de favela, sem perspectivas de bom emprego e que eventualmente passe necessidades. Imagine outro jovem, porém, rico, morador de bairro nobre e que normalmente tem tudo o que deseja. Aconteceu de um deles transforma-se em traficante e do outro transforma-se em viciado. Considerando as características brasileiras, qual dos dois se tornou o traficante?
Parece elementar que foi o jovem que mais precisava de dinheiro, o jovem pobre da favela. Parece compreensível, também, que o jovem rico tenha se inclinado por prazeres alucinantes, uma vez que já tinha de tudo e poderia estar enfadado dos prazeres comuns. A grande questão é saber quem induz a quem a se envolver com as drogas. Será que foi o jovem pobre, e de pouca educação que convenceu o jovem rico, ou será que foi o jovem rico e de muita educação que convenceu o jovem pobre?
A segunda questão é: Considerando a realidade brasileira, que tipo de influência um traficante de favela poderia exercer sobre famosas atrizes, cantores e personalidades artísticas em geral, levando-os ao vício e à dependência?... Seriam, amostras grátis?... Quem realmente procura quem?...
No passado, os Estados Unidos deram grandes ensinamentos ao mundo (democracia, liberdade, missões cristãs, etc.), mas nesta questão de drogas pecaram gravemente. O jovem colombiano, responsabilizado por produzir, não tem capacidade de enfiar cocaína “nariz adentro” do jovem americano. Mas, o jovem americano, tem capacidade de comprar qualquer tipo de serviço do pobre colombiano. As autoridades americanas sabem disso muito bem e não podem fazer – se de ingênuas.
Na época da guerra fria, entre a liberdade propagandeada pelos Estados Unidos e o comunismo propagandeado pela União Soviética, era compreensível que as autoridades americanas, querendo preservar a boa imagem da liberdade diante do mundo, colocassem toda a culpa das drogas nas costas dos que as comercializavam, considerando os jovens que consumiam como simples vítimas. Agiram assim porque não queriam dar motivos para a antiga União Soviética criticar a liberdade e usar este problema, como pretexto, para fazer propaganda do comunismo ateísta. Praticamente o mundo inteiro seguiu os Estados Unidos nessa definição de que o traficante seria o único culpado. A partir dessa ocasião, boa parte do mundo tem crucificado pessoas que necessitam de dinheiro para sobreviver, e absolvido pessoas que também, contrariando a lei, se envolvem em prazeres alucinantes apenas para divertir-se e ocupar-se.
Se a dependência química é uma necessidade incontrolável e, por isso, merece compreensão, então o que merece a dependência de alimento dos favelados?
É verdade que um viciado sem drogas sente dores, mas um faminto sem alimentos sente a morte. A qual dos dois devemos compreender por se envolver com drogas?... Ao que vende para alimentar a si e sua família, ou ao que consome, irresponsavelmente, apenas para seu próprio deleite?
É importante lembrarmos que a população pobre da favela não dispõe de muitas alternativas para sustentar-se. Na realidade, a grande maioria tem que se sujeitar a míseros trabalhos, lícitos ou ilícitos, que a população de posses lhes oferece ou lhes encomenda.
Portanto, precisamos combater o problema das drogas sem tratar os consumidores adultos como “coitadinhos”. Eventualmente eles podem ser vítimas, mas, na maioria das vezes, eles são a causa da existência e do comércio de drogas. Se eles não consumissem, pagando altos preços, não existiria droga nenhuma sendo fabricada ou comercializada. (Até mesmo os grandes traficantes são consequência e não causa). Por isso, temos que estabelecer adequada punição para todos (para quem vende e para quem compra). Assim, seremos bem-sucedidos neste combate e reduziremos causas e consequências. Ser tolerante com os drogados pode até ser importante para sua recuperação pessoal. Entretanto, discipliná-los adequadamente é muito mais importante para toda a sociedade.
Em função da dificuldade prática, de se saber quem é traficante e quem é consumidor, temos que formular uma punição compatível com a desobediência de ambos. Tal punição deve ser a mesma para consumidor e traficante e não deve conter exageros nem benevolências. Talvez uma punição coerente seja penalizar a todos com 90 dias de prisão mais multa de 40 vezes o valor da droga portada pelo infrator, (duplicando a pena a cada nova reincidência). Isso seria mais justo e mais eficiente que as penalidades atuais. Além disso, amenizaria o descontentamento dos favelados e solucionaria, de fato, o problema das drogas trazendo paz à sociedade.
Adaptado de http://www.renascebrasil.com.br/f_drogas.htm, 11 de fev.
de 2012.
Quanto à concordância, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta a(s) correta(s).
I. Os dependentes químicos, mesmo aqueles que se encontra em estágio inicial da dependência, apresenta sintomas visíveis, ainda que discreto, do vício.
II. As drogas ilícitas são acessíveis a seus usuários através de criminosos que, na maioria das vezes, já foram também dependentes.
III. O mundo dos traficantes não diferem muito do mundo dos usuários de drogas, porém as penalidades aplicadas pela lei são bem diferente para o dependente e para o traficante.
IV. Os adultos consumidores de drogas não podem ser tratados com menos rigor que aqueles que traficam, eventualmente eles podem ser vítimas, mas, na maioria das vezes, eles são a causa da existência e do comércio de drogas.