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2312144 Ano: 2020
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Cabo Frio-RJ
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Texto: SEDIAR OU NÃO: O DEBATE ECONÔMICO SOBRE AS OLIMPÍADAS

Os Jogos Olímpicos de Tóquio resultaram em perdas econômicas para o Japão e reforçou o debate sobre se vale a pena sediar os Jogos ou não. A edição Tóquio 2020 foi realizada em circunstâncias ,excepcionais: a crise sanitária global tornou inevitável uma diminuição do potencial ganho financeiro. A discussão que questiona se os retomas econômicos compensam os custos, no entanto, é anterior a 2020 e 2021.

Um estudo coordenado pelo economista dinamarquês Bent Flyvbjerg, da Universidade de Oxford, no Reino, Unido, revelou que a Olimpíada de Tóquio é a mais cara da história. Antes de Tóquio, os Jogos mais caros haviam sido os de Londres. Apesar do gasto mais baixo que Londres e Tóquio, a edição de 2016, no Rio, superou seu orçamento original em 352%, de acordo com os pesquisadores de Oxford. O custo final da ,edição foi muito maior que o previsto inicialmente, e não é caso isolado. Segundo o estudo de Oxford, os Jogos Olímpicos de Verão costumam exceder seus orçamentos em 213%, em média. De acordo com a pesquisa, o caso mais grave ocorreu em Montreal, em 1976: o evento custou 720% acima do projetado inicialmente.

O alto custo de sediar os Jogos incita o debate entre economistas sobre se vale a pena receber o tal evento esportivo. O ceticismo sobre o tema é alimentado por casos de cidades e países que enfrentaram problemas financeiros graves após sediar as olimpíadas - casos de Montreal, no Canadá, que sediou em 1976; da Grécia, que recebeu os Jogos em Atenas em 2004; e do Rio de Janeiro, sede em 2016.

Há também exemplos de sucesso, como o da Olimpíada de Los Angeles, em 1984 - em que os resultados financeiros foram muito positivos -, e de Barcelona, em 1992, que melhorou a infraestrutura local e ajudou a tomar a cidade espanhola um dos destinos turísticos mais populares do planeta. Para muitos economistas, os retornos potenciais de receber os Jogos não compensam os riscos e custos.

Outros estudos mostram que os impactos econômicos positivos tendem a ser pequenos e de rápida dissipação, pois a criação de empregos no processo de receber os Jogos é temporária e se restringe a poucos setores, como construção, hotelaria e turismo. Há ainda economistas que lembram que a principal fonte de faturamento dos Jogos são os contratos de televisão - e o COI (Comitê Olímpico Internacional) fica com a maior parte do dinheiro movimentado por esses acordos.

Os efeitos dos Jogos Olímpicos, no entanto, não se limitam aos saldos de indicadores macroeconômicos como PIB (Produto Interno Bruto) e número de empregos gerados. Há também ganhos sociais que podem advir do processo de preparação para as olimpíadas. Independentemente de eventuais ganhos sociais, as cifras altas das edições recentes dos Jogos Olímpicos têm l,evado cada vez menos cidades a lançarem candidaturas para receber o megaevento. Em 2024, por exemplo, as cidades de Boston, Roma, Hamburgo e Budapeste chegaram a cogitar a candidatura, mas desistiram ainda nas fases iniciais ,do processo. Ao fim do processo, restaram apenas Paris e Los Angeles - que foram escolhidas como sedes de 2024 e 2028, respectivamente.

Alguns economistas argumentam que, dado o alto custo dos Jogos e o fato de as estruturas esportivas olímpicas muitas vezes caírem em desuso, uma solução para o futuro do evento é ter uma sede fixa. Dessa forma, não seria necessário investir cifras bilionárias a cada quatro anos para que as competições pudessem ocorrer. Ainda que a proposta seja polêmica, principalmente por quebrar com a tradição dos Jogos da era moderna, iniciada em 1896, de ter uma sede diferente para cada edição, ela está em pauta.

MARCELO ROUBICEK

Adaptado de https://www.nexojornal.corn.br/expresso/2021/08/07/Se diar-ou-n,%C3%A3o-o-debate-econ%C3%B4mico- sobre-as-Olimp%C3%ADadas, 07/0812021 .

Por ser uma notícia, o texto apresenta a seguinte característica principal:

 

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