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3525706 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: FUNEC-MG
Orgão: FUNEC-MG
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Com base na leitura do poema a seguir, responda às questões 5 e 6.

Não vou mais lavar os pratos

Não vou mais lavar os pratos.

Nem vou limpar a poeira dos móveis.

Sinto muito. Comecei a ler. Abri outro dia um livro

e uma semana depois decidi.

Não levo mais o lixo para a lixeira. Nem arrumo

a bagunça das folhas que caem no quintal.

Sinto muito.

Depois de ler percebi

a estética dos pratos, a estética dos traços, a ética,

A estática.

Olho minhas mãos quando mudam a página

dos livros, mãos bem mais macias que antes

e sinto que posso começar a ser a todo instante.

Sinto.

Qualquer coisa.

Não vou mais lavar. Nem levar. Seus tapetes

para lavar a seco. Tenho os olhos rasos d’água.

Sinto muito. Agora que comecei a ler quero entender.

O porquê, por quê? e o porquê.

Existem coisas. Eu li, e li, e li. Eu até sorri.

E deixei o feijão queimar...

Olha que feijão sempre demora para ficar pronto.

Considere que os tempos são outros...

[...]

Depois de tantos anos alfabetizada, aprendi a ler.

Depois de tanto tempo juntos, aprendi a separar

meu tênis do seu sapato,

minha gaveta das suas gravatas,

meu perfume do seu cheiro.

Minha tela da sua moldura.

Sendo assim, não lavo mais nada, e olho a sujeira

no fundo do copo.

Sempre chega o momento

de sacudir,

de investir,

de traduzir.

Não lavo mais pratos.

Li a assinatura da minha lei áurea

escrita em negro maiúsculo,

em letras tamanho 18, espaço duplo.

(SOBRAL, Cristiane. Cadernos negros 23: poemas afro-brasileiros, 2000.Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/24-textos-das-autoras/932-cristiane-sobral-nao-vou-mais-lavar-os-pratos. Acesso em: 12 jul.2020.)

No poema, o duplo processo de mobilização, ao mesmo tempo pragmático e subjetivo, que o ato de leitura provoca sobre a autora, é confirmado, RESPECTIVAMENTE, pelos seguintes fatores:

 

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