Jorge, 41 anos, é um psicólogo que atua na Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul e tem como função desenvolver ações destinadas às relações de trabalho visando melhorar a produtividade de pessoal. Entendendo que profissionais com melhores índices de saúde mental no trabalho tendem a ser mais produtivos (especialmente em âmbito qualitativo), ele desenvolveu um programa de saúde mental dos servidores com base na teoria da psicodinâmica do reconhecimento, que tem como base teórico- metodológica a psicodinâmica do trabalho, para a qual o reconhecimento no trabalho é uma forma de retribuição simbólica que o sujeito recebe e que deriva de sua contribuição para o labor, bem como do engajamento de sua subjetividade e inteligência.
Nessa perspectiva, o reconhecimento se dá em duas esferas: a primeira diz respeito ao julgamento da utilidade da contribuição técnica, social e econômica do sujeito que é proferido pela hierarquia, subordinados ou clientes (um juízo vertical). A segunda esfera, mais severa, relaciona-se ao julgamento de qualidade, singularidade, originalidade e distinção de uma tarefa que só pode ser proferido pelos pares, por aqueles que conhecem bem as regras do ofício e o estado da arte (um juízo horizontal). O primeiro tipo de julgamento intitula-se julgamento de utilidade. O segundo tipo, conforme a psicodinâmica do trabalho dejouriana, denomina-se