Magna Concursos
1229910 Ano: 2013
Disciplina: Teologia
Banca: COTEC
Orgão: Pref. Itacarambi-MG
Com os escravos, chegava o candomblé. O candomblé é síntese de crença que deita raízes na África negra, mantém-se pela oralidade e pela tradição, depois de ter atravessado as águas atlânticas e vencido, século atrás de século, as procelas do autoritarismo dos senhores de terras e de homens. Senhores que sempre se acreditaram também donos da verdade absoluta. Ao se transplantarem, os cultos afro enfrentaram um sério problema: por serem religiões voltadas para o culto dos ancestrais, fundadas nas famílias e nas linhagens, perderam a base num país onde as estruturas sociais e familiares não se reproduziram. O culto dos antepassados familiares da aldeia foi impossível. A perda da liberdade do negro arrastou a perda da família e da tribo. Ficaram as divindades ligadas à natureza, envolvidas na manipulação mágica do mundo.
Sobre o candomblé, analise as proposições abaixo:
I - No fluxo contínuo da escravaria que se derramava pelas costas brasílicas, ao longo dos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX, vieram os integrantes do grupo linguístico banto, de Angola e do Congo, aqueles que provinham da África superequatorial, da região da Costa da Mina e do Golfo de Benin e, por fim, os sudaneses, os fons de Benin, identificados como jejes e yorubás, estes mais conhecidos como nagôs. Misturados nas senzalas, transmitiram a seus descendentes seus valores étnico-religiosos. Na luta pela permanência, na necessidade de crer, acabaram construindo a religião possível, fruto da interação das várias nações, eivada de hibridismos com o catolicismo.
II - O principal ponto de desprezo social era a religião: o candomblé, que se acreditava sinônimo de magia, feitiçaria, curandeirismo, por usar objetos rituais exóticos e realizar sacrifícios sangrentos, transformando a ordem pública. Espetáculo vergonhoso de atraso numa sociedade que pretendia modernizar-se. Expressões como essa aparecem com frequência na literatura e nos periódicos até meados do século XIX, sensíveis que estavam os intelectuais ao choque da temporalidade das culturas diferenciadas.
III - A rejeição ao negro – expressa ou camuflada de compreensões e tolerâncias – não se restringe à religião. Há a negação do pensamento africano como um pensamento culto porque seus fiéis, na maioria, provêm das camadas mais simples da população. Mesmo inconscientemente não se admite que o candomblé fundamente e postule uma filosofia do universo e uma concepção do homem tão rica e complexa como a ocidental. Interessa pouco se essa religião importa para a saúde mental e a adaptação do homem ao seu meio, ou sequer mesmo que seja uma religião.
A respeito dessas asserções, pode-se afirmar que está(ão) CORRETA(S)
 

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