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204560 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: UFES
Orgão: UFES
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Texto 1
Tão delicados (mais que um arbusto(I)) e correm e correm de um para outro lado, sempre esquecidos de alguma coisa. Certamente, falta-lhes não sei que atributo essencial, posto se apresentem nobres e graves, por vezes. Ah, espantosamente graves, até sinistros.
Coitados, dir-se-ia não escutam nem o canto do ar nem os segredos do feno,(I) como também parecem não enxergar o que é visível e comum a cada um de nós, no espaço. E ficam tristes e no rasto da tristeza chegam à crueldade. Toda expressão deles mora nos olhos – e perde-se a um simples baixar de cílios, a uma sombra.(II) Nada nos pêlos, nos extremos de inconcebível fragilidade, e como neles há pouca montanha, e que secura e que reentrâncias e que impossibilidade de se organizarem em formas calmas, permanentes e necessárias. Têm, talvez, certa graça melancólica (um minuto) e com isto se fazem perdoar a agitação incômoda e o translúcido vazio interior que os torna tão pobres e carecidos de emitir sons absurdos e agônicos: desejo, amor, ciúme (que sabemos nós?), sons que se despedaçam e tombam no campo(III) como pedras aflitas e queimam a erva e a água, e difícil, depois disto, é ruminarmos(I) nossa verdade.
(Carlos Drummond de Andrade, Um boi vê os homens,
Claro Enigma).
Considere as afirmações a seguir sobre o Texto:
I) “arbusto”, “feno” e “ruminar” fazem parte do universo de referência do enunciador.
II) “Toda expressão deles mora nos olhos – e perde-se a um simples baixar de cílios, a uma sombra” remete à morte.
III) “sons absurdos e agônicos... que se despedaçam e tombam no campo...” faz alusão aos gritos de desespero dos homens diante das adversidades da vida.
Assinale a alternativa correta:
 

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