O Texto a seguir apresenta aspectos históricos e de evolução das teorias de análise de acidentes de trabalho. Dentre as alternativas, assinale a que corretamente corresponde às lacunas do texto.
“Desde os primórdios do mundo do trabalho o acidente fez parte do cotidiano dos trabalhadores ganhando visibilidade a partir do século XIX com o avanço do processo de industrialização e das lutas operárias dele decorrentes (Machado, 1991). Enquanto fenômeno que rompe com a lógica do trabalho, o acidente sempre existiu. Mais do que isso podemos afirmar que, ligados à dinâmica da sociedade, que está sempre em movimento, acidentes sempre farão parte do cenário social (Freitas,1996). Até meados do século XVIII, a compreensão do evento-acidente esteve atrelada às manifestações dos deuses. Incêndios, inundações, furacões, maremotos, fome e epidemias eram compreendidos como manifestações da providência divina (Theys, 1987). A relação do acidente com o trabalho era apenas superficial, ou seja, a fenomenologia do acidente encontrava-se limitada pois respaldava-se apenas em modelos descritivos que não abordavam a totalidade do processo produtivo. Com a Revolução Industrial, o desenvolvimento científico e tecnológico e as transformações na sociedade e na natureza, o homem passa a ser o responsável pela geração e pela remediação de seus males”. A concepção anterior de acidente torna-se insuficiente porque assim como não existe trabalho em geral, não existe acidente em geral (Oliveira,1989) faz-se necessário contextualizar o acidente historicamente”.
Na discussão da concepção do acidente de trabalho, destacam-se basicamente duas vertentes diferenciadas sobre esta temática: a primeira, de caráter jurídico-institucional, sustentada pela , que propõe que a sociedade é quem deve arcar com o ônus dos infortúnios ocorridos no trabalho, se ela é a consumidora de bens e serviços, deve ser responsabilizada também pelos efeitos negativos do processo de trabalho (Rodrigues, 1986); a segunda, desenvolvida pela engenharia de segurança voltada para o controle dos acidentes, constituindo a , segundo a qual, através da identificação dos fatores de risco, pode-se estabelecer um controle sobre os trabalhadores por meio de técnicas de prevenção da SST, desenvolvido pelos serviços da empresa (SESMT e CIPA). Quanto à evolução conceitual do acidente do trabalho, encontramos primeiramente a , pela qual se considera apenas o aspecto localizado do acidente, que é explicado como resultado de uma falha gerada e efetivada onde se deu a ocorrência. A responsabilidade recai sobre os ombros do faltoso, ou seja, ocorre uma falha profissional proveniente da má realização de um ofício. Essa corrente teórica enfoca a segurança como parte da responsabilidade do trabalhador não como inerente ao processo produtivo. Já a explica o acidente a partir da inadaptação do perfil do posto de trabalho às características dos indivíduos que o ocupassem seguindo uma premissa Taylorista: “O HOMEM CERTO PARA O LUGAR CERTO”. Teoria essa, inadequada como prática de prevenção de acidentes, pois a questão central deve ser EVITAR e ELIMINAR os riscos do processo de trabalho. Pela teoria da dicotomia entre fatores técnicos e fatores humanos, admite-se a existência de fatores causais sem ligação direta com a vítima. O modelo teórico do acidente é reformulado com a substituição da noção de responsabilidade pela noção de fenômeno complexo como resultado do efeito conjugado de uma série de fatores causais. A noção consiste na hipótese de que um único evento (acidente) pode ter várias causas, originar acidentes distintos. A preocupação volta-se à classificação de fatores causais: os fatores humanos e os fatores técnicos. O acidente é considerado como um elemento exógeno ao processo de trabalho e não como um de seus resultados. Com a , avança-se sobre o problema teórico-metodológico de dissociação entre o acidente e o processo de trabalho, ou seja, as observações das atividades laborais passam a ser comparadas às situações de trabalho similares com e sem ocorrência de acidentes. Busca-se a compreensão de uma dada situação de trabalho não resumindo à descrição em termos situacionais de normalidade, mas também associando-a às situações correntes de trabalho. Por fim pela o acidente é correlacionado ao processo de trabalho, revelando a existência de problemas de adaptação do sistema às suas finalidades. Por essa teoria o acidente é tido como resultado da combinação de um conjunto de fatores situados em distâncias funcionais distintas com relação ao evento terminal e com influências variáveis para o mesmo acidente típico a chamada Análise de Árvore de Falhas (Árvores de Causas), em que o enfoque priorizado é a análise da situação de trabalho: o acidente é o resultado terminal de um mecanismo originário do próprio processo de trabalho.