Max Weber (1864-1920) definiu “dominação” como “[...] a probabilidade de encontrar obediência a uma ordem de determinado conteúdo, dentre determinadas pessoas indicáveis [...]”. Em cada caso individual, a “dominação [...] assim definida pode basear-se nos mais diversos motivos de submissão: desde o hábito inconsciente até considerações puramente racionais, referentes a fins”.
(Adaptado de: WEBER, Max. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. v.1. 3d. Brasília: Editora UnB, 2000, p. 33 e 139)
Considere as seguintes situações de dominação:
I. Antônio Conselheiro, há vinte e dois anos, desde 1874, era famoso em todo o interior do norte e mesmo nas cidades do litoral até onde chegavam, entrecortados de enxames de cacos lendários, os episódios mais interessantes de sua vida romanesca; dia a dia ampliara o domínio sobre as gentes sertanejas; vinha de uma peregrinação incessante, de quarto de século, de todos os recantos do sertão, onde deixara sempre novos discípulos, e, ao mesmo tempo, tornara torres de dezenas de igrejas que construíra [...]
(Adaptado de: CUNHA, Euclides da. Os sertões. Rio de Janeiro: Fundação Darcy Ribeiro, 2013. pp. 227-228)
II. Ora, K. havia anunciado para aquela noite sua visita a Elsa, e já por esse motivo não podia ir ao tribunal; estava contente por ter essa justificativa para não comparecer [...] – Não é possível – disse o juiz de instrução, como se quisesse convencer-se a si mesmo de que não se tratava de um caso de dominação.
(Adaptado de: KAFKA, Franz. O processo. São Paulo. Companhia das Letras, 2005. pp. 209·210)
III. No regime militar brasileiro, entre 1964 e 1985, o governo utilizava-se de instrumentos de censura e repressão para manter o controle sobre a população e garantir a ordem desejada pelo Estado.
(Adaptado de: Gilberto Freyre. Casa grande & Senzala 43.ed. Rio de Janeiro: Record. 2001. pp. 47 e 50)
É correto afirmar que a dominação, conforme definida por Weber, está presente em: