Estrutura e função do cérebro
Os hemisférios direito e esquerdo do nosso cérebro mostram diferenças em sua anatomia macroscópica, muitas das quais também são encontradas no cérebro de outros animais. Nos humanos, o hemisfério esquerdo fornece, em geral, uma contribuição única para a linguagem e para a execução de movimentos complexos. Em consequência, uma lesão nesse lado tende a ser acompanhada por afasia (defeito na fala ou na linguagem escrita) e apraxia (defeito no movimento coordenado).
As pessoas costumam ter mais facilidade no ouvido direito (hemisfério esquerdo) para captar palavras, números, sílabas sem sentido, código morse, ritmos difíceis e a ordenação de informações temporais, e no ouvido esquerdo (hemisfério direito) para melodias, acordes musicais, sons do ambiente e tons de voz. Diferenças análogas foram encontradas também para outros sentidos. Sabemos, por exemplo, que a mão direita (cujas sensações se projetam quase totalmente para o hemisfério esquerdo) é melhor para discriminar a ordem de estímulos, enquanto a mão esquerda é mais sensível às suas características espaciais.
Entretanto, o hemisfério direito é dominante em muitas capacidades cognitivas superiores, tanto nos cérebros normais como nos que foram divididos por cirurgia. O hemisfério direito tende a apresentar mais facilidade para interpretar expressões faciais, intuir princípios geométricos e relações espaciais, perceber o todo a partir de uma coleção de partes e avaliar acordes musicais. Também tem mais facilidade para expressar emoções (com o lado esquerdo do rosto) e detectar emoções em outras pessoas. Curiosamente, isso nos obriga a ver o lado do rosto menos expressivo dos outros (o direito) com nosso hemisfério emocionalmente mais astuto (o direito) e vice-versa.
Os psicopatas, em geral, não mostram essa vantagem do hemisfério direito na percepção de emoções, talvez seja uma das razões por que eles têm dificuldade para detectar o sofrimento emocional em outras pessoas.
A maioria dos dados indica que os dois hemisférios diferem em temperamento, e agora parece indiscutível a afirmação de que eles podem dar contribuições diferentes (e até opostas) à vida emocional do indivíduo. Em um cérebro dividido, os hemisférios provavelmente não percebem o self e o mundo da mesma maneira, também é provável que não se sintam do mesmo modo em relação a eles.
Boa parte do que nos faz humanos costuma ser obra do lado direito do cérebro. Em consequência, temos todas as razões para crer que o hemisfério direito desconectado possui uma consciência independente e que o cérebro dividido abriga dois pontos de vista distintos. Esse fato traz um problema intransponível para a ideia de que cada um de nós possui um self único e indivisível — que dirá uma alma imortal.
(Trecho do livro “Despertar”, de Sam Harris).
“Os psicopatas, em geral, não mostram essa vantagem do hemisfério direito na percepção de emoções, talvez ‘seja’ uma das razões por que eles têm dificuldade para detectar o sofrimento emocional em outras pessoas”. O verbo em destaque, no trecho, está conjugado no
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