Magna Concursos
2705683 Ano: 2006
Disciplina: Redação Oficial
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: MRE
Provas:

Madri, 14 de julho de 1857.

Senhor,

Chegou a hora de poder humildemente comparecer ante o Trono de Vossa Majestade Imperial com o segundo volume concluído da História geral do Brasil, depois de haver trabalhado às vinte horas por dia, de forma que quase sinto que estes últimos seis anos da vida me correram tão largos como os trinta e tantos anteriores. Ao ver afinal concluída a obra, não exclamei, Senhor, cheio de orgulho, “Eregi monumentu aere perennius” a minha triste peregrinação pela terra. Porém caí de joelhos, dando graças a Deus não só por me haver inspirado a idéia de tal grande serviço à nação e às demais nações, e concedido saúde e vida para o realizar (sustentando-me a indispensável perseverança para convergir sobre a obra desde os anos juvenis, direta e indiretamente, todos os meus pensamentos), como por haver permitido que a pudesse escrever e ultimar no reinado de Vossa Majestade Imperial, Cujo Excelso Nome a posteridade glorificará, como já o universo todo glorifica a sua sabedoria e justiça.

Senhor! Permita-me Vossa Majestade Imperial que, aproveitando-me, entretanto, dos méritos que devo haver contraído perante o Seu espírito justiceiro com a conclusão da História geral da civilização da Sua e minha pátria, eu lhe abra todo o meu coração, e Lhe descubra até os mínimos refolhos e rugas (boas e más) que nele se achem. (...)

Estas considerações dão-me por vezes horas de grande tristeza... E confesso, Senhor, que, sobretudo quando haverá pouco mais de dois anos se publicaram umas grandes listas de despachos, e vi nelas generosamente contemplados com títulos do Conselho, com crachás, com fidalguias a tantos que eu cria terem feito pelo país e por Vossa Majestade Imperial menos do que eu, gemi e calei (...).

Dirá Vossa Majestade Imperial que sou ambicioso. E por que não, Senhor?! — A maior glória e honra do homem é ser ambicioso, diz Guizot. Não é também Vossa Majestade Imperial ambicioso da glória? Mal do Brasil, se o não fora, como é, mercê de Deus. (...)

Sei que não falta gente que, insistindo em considerar-me como meio literato, meio empregado diplomático de cortesias (como dizem) fingem não saber tudo quanto eu, politicamente, além do grande serviço desta História, tenho trabalhado em favor de Vossa Majestade Imperial e do Império. (...)

Senhor,
De Vossa Majestade Imperial,
O mais submisso e leal súdito

Francisco Adolfo de Varnhagen

Renato Lemos (Org.). Bem traçadas linhas: a história do Brasil em cartas pessoais. Rio de Janeiro: Bom Texto, 2004, p. 58-63 (com adaptações).

Com base no que preceituam os manuais de redação oficial e as gramáticas normativas, julgue o item a seguir, relativo a trechos destacados da carta enviada por Francisco Adolfo de Varnhagen a D. Pedro II.

Tanto o conteúdo quanto a forma da carta são semelhantes aos de uma exposição de motivos, bastando a inserção de numeração nos parágrafos e a alteração do fecho da carta, para que o texto atendesse à formalidade adequada a uma comunicação oficial do tipo exposição de motivos.

 

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