No artigo “A pólis arquipélago − notas do acompanhamento terapêutico” (2013), Maurício Porto discute algumas consequências teóricas derivadas do fazer singular do acompanhamento terapêutico (AT). O autor lembra que:
I Como no AT não há nem lugar fixo, nem propriedade privada − características ordinárias das instituições de tratamento, o espaço onde ele acontece é o chão comum e o céu aberto.
II A experiência de transitar, para além das quatro paredes das diversas instituições de tratamento, dispõe, como plano transferencial, um cenário composto de indivíduos e universos que se interpenetram e se constituem, formando mundos.
III A ausência de um lugar próprio, já predeterminado, fortalece a novidade absoluta do encontro. Essa espécie de virgindade do encontro produz uma diferenciação do AT em relação ao médico, ao terapeuta e ao analista.
IV No acompanhamento terapêutico, é o AT que se desloca para o encontro do acompanhado. Essa anterioridade não existe como existe para o analista. Essa novidade absoluta do encontro, determinado pela ausência da propriedade privada.
Pode-se afirmar que: