Para Calvino, a rapidez a ser valorizada em nosso
tempo não poderia ser exclusivamente aquele tipo de
velocidade inspirada por Mercúrio, o deus de pés alados, leve
e desenvolto. Por meio de Mercúrio se estabelecem as relações
entre os deuses e os homens, entre leis universais e casos
particulares, entre a natureza e as formas de cultura. Hoje,
escreve Calvino, a velocidade de Mercúrio precisaria ser
complementada pela persistência flexível de Vulcano, um
“deus que não vagueia no espaço, mas que se entoca no
fundo das crateras, fechado em sua forja, onde fabrica
interminavelmente objetos de perfeito lavor em todos os
detalhes — joias e ornamentos para os deuses e deusas, armas,
escudos, redes e armadilhas”.
Da combinação entre velocidade, persistência,
relevância, precisão e flexibilidade surge a noção
contemporânea de agilidade, transformada em principal
característica de nosso tempo. Uma agilidade que vem se
tornando lugar comum, se não na vida prática das
organizações, pelo menos nos discursos. Empresas, governos,
universidades, exércitos e indivíduos querem ser ágeis.
Também os serviços de inteligência querem ser ágeis, uma
exigência cada vez mais decisiva para justificar sua própria
existência no mundo de hoje.
Marco A. C. Cepik. Serviços de inteligência: agilidade e transparência como dilemas de institucionalização. Rio de Janeiro: IUPERJ, 2001. Tese de doutorado. Internet: www2.mp.pa.gov.br (com adaptações)
Julgue os próximos itens, referentes às estruturas do texto e ao vocabulário nele empregado.
Se os adjetivos “leve” (l.3) e “desenvolto” (l.4) fossem empregados no plural, seriam mantidas a correção gramatical e a coerência do texto, mas seu sentido original seria alterado.