Para os gregos — e mais tarde para os pensadores medievais — a ciência era uma especulação teórica, desligada da prática. A postura de desprezo pela técnica se devia ao fato de que, nessas civilizações, as atividades manuais eram ofício de escravos ou de servos, o que
significava uma desvalorização delas. Decorre daí que a ciência, como “saber contemplativo” — isto é, como pura teoria — se achava vinculada à reflexão filosófica. Filosofia é uma palavra de origem grega que significa “amor à sabedoria” e na Antiguidade representava um tipo de conhecimento superior e mais geral, alcançado pelo “sábio”, capaz de abranger o conhecimento da época, levando toda interrogação à busca das essências. Durante muitos séculos — toda a Antiguidade e a Idade Média —, não se fez distinção entre filosofia e ciência.
Dessa forma, pode-se dizer que qualquer cientista, em certo momento de seu trabalho, pode parar para refletir sobre questões propriamente filosóficas. O bom cientista, no sentido humano da palavra, deve ser aquele que também indaga sobre os fins a que se destinam suas pesquisas.
Samuel Murgel Branco. O saber científico e outros saberes. In: Márcia Kupstas (Org.). Ciência e tecnologia em debate. São Paulo: Moderna, p. 23-5 (com adaptações).
Com base no texto acima, julgue o item subsequente.
A flexão de feminino plural em “delas” permite que esse elemento coesivo concorde tanto com “civilizações” quanto com “atividades manuais” ; mas o desenvolvimento da argumentação indica que, para haver coerência, o referido elemento deve retomar apenas o segundo termo.