Em geral e para muitos, gentil e educado são a mesma coisa. Ainda que parecidos, são conceitos distintos e não totalmente relacionados entre si. O adjetivo gentil, do latim gentilis, refere-se ao que descende de nobre linhagem; portanto, demonstra elegância, e pela delicadeza e graça desperta empatia, seja pelo encantamento, seja pelo requinte de seus comportamentos. Por educado, entende-se aquele que se educou e, portanto, tem polidez e civilidade. Lembrando sempre aquilo que bem afirmou Albert Einstein: “Educação é aquilo que fica quando esquecemos o que nos foi ensinado”.
Em uma festa de família, por exemplo, é natural que todos os primos nos pareçam, e sejam, gentis e educados. Quando inseridos em ambientes hostis e inóspitos, todos podem nos parecer simultaneamente não gentis e mal-educados. Interessante é observar contextos em que eventualmente um conceito contradiz o outro.
Quando estamos em uma fila, por exemplo, é possível termos comportamentos gentis e mal-educados, bem como o oposto, não gentis, porém educados. Aquele que com graça estabelece boas conversas pode ser o mesmo que fura fila ou é conivente com tal comportamento, sendo gentil ainda que sem ser educado. Da mesma forma, alguém mais fechado e pouco dado gentilezas, mas intransigente com qualquer má educação, pode demonstrar educação, mesmo sem ser necessariamente gentil.
Não compartilho o raciocínio, porque é generalizante e injusto, mas há quem diga que esta distinção ajuda a entender duas regionalidades: o carioca e o gaúcho. Na visão de alguns, sem meu endosso, o carioca seria mais gentil, mesmo quando não de todo educado; o gaúcho, por sua vez, propenso ser não tão gentil, ainda que, em geral, mais educado.
Estabelecidas minimamente as diferenças, resta discutir os comportamentos que despertam mais uma característica ou outra. É correto afirmar que gentileza gera gentileza. E o que gera educação? O conceito “ser educado” é mais complexo do que aquilo que fica na esfera comportamental.
Educação vai muito além da escolaridade. Há escolarizados sem civilidade, e há não escolarizados com muita civilidade, ainda que escolaridade seja um dos ingredientes para definir o educado, mas longe de ser exclusivo, e talvez não seja o principal. Alguns afirmam que educação vem de berço. Se assim fosse, os irmãos seriam idênticos, e sabemos bem quão diversos eles são ou podem ser. Mesmo assim, o ambiente doméstico tem com educação.
Em suma, parecer ou ser gentil é mais rápido de se perceber ou simular. Ser educado é mais complexo de se mensurar. Educação vai além dos limites da escola, da família, do trabalho, das ruas, dos amigos, ainda que contenha o todo. Educação é algo mais permanente, ainda que se reflita nas circunstâncias e nas peculiaridades de cada um e de cada grupo social.
Adaptado de: MOTA, R. Zero Hora, 7 set. 2014. p. 36.
Considere as seguintes propostas de substituição de segmentos do texto.
1. Substituir com graça por graciosamente.
2. Substituir sem civilidade por incivis.
3. Substituir se reflita por se pense.
2. Substituir sem civilidade por incivis.
3. Substituir se reflita por se pense.
Quais propostas manteriam o significado da frase no texto?