Leia o texto abaixo para responder às questões de 36 a 39.
Estes contos
Há muita coisa a emendar em meus contos. Às vezes eles saem totalmente ao contrário daquilo que pretendiam contar. Costumam até ficar melhor, mas nem sempre.
Certos contos, os mais simples, parecem inverossímeis, e os inverossímeis, pois também escrevi alguns desta natureza, despertam o comentário: "Daí, quem sabe? Tudo pode acontecer''.
Tenho a impressão de que tudo pode mesmo acontecer em matéria de contos, ou melhor, no interior deles. Houve um que se recusou a terminar, como se dissesse: "Fica tão bom assim ... Só você não percebe isto".
Duas historietas exigiram que as concluísse confessando minha incapacidade de contista. Como eu me recusasse a atendê-las, retrucaram: "Não faz mal. Não é preciso confessar; todos sabem".
Só um de meus contos me acompanha por toda parte, ao jeito de gato fiel, sem que o faça para pedir alimento. É um continha bobo, anão, contente da vida. Vai no meu bolso. Não o leio para ninguém. Seu calor me agasalha. Já não me lembra o que diz, pois nunca o releio, mas sei que é raríssimo o texto que seja amigo do autor, e quanto a este, não duvido. Meu melhor amigo é um continha em branco, de enredo singelo, passado todo ele na antena esquerda de um gafanhoto.
Andrade, Carlos Drummond de, 1902-1987. Contos plausíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
Assinale a alternativa cuja alteração na pontuação da sentença retirada do texto NÃO causou prejuízo gramatical ou de sentido.