O Brasil que recebe
Fernanda Pugliero
O aumento significativo do fluxo de emigrantes é uma das consequências da crise econômica e política que atinge a Venezuela. Entre os receptores dos venezuelanos está o Brasil, que viu o número de solicitações de refúgio disparar principalmente no último ano. O contingente migratório já vinha crescendo desde 2015, ano em que se agravou a crise iniciada em 2013.
O Brasil faz fronteira com dez países. Nos últimos meses, os olhares voltaram-se para a linha imaginária de 1.492 quilômetros que limita os territórios do Brasil e da Venezuela devido ao aumento das solicitações de refúgio, especialmente por causa da falta de infraestrutura adequada no estado de Roraima para receber essa demanda. O número de pedidos de refúgio passou de 2.804, em 2015, para 2.223, em 2016, e disparou para 6.438 até julho de 2017, segundo o OBMigra, Observatório das Migrações Internacionais, ................ ao Ministério do Trabalho. Isso apenas na capital roraimense, Boa Vista. No restante do Brasil, ............................. 7,6 mil pedidos em 2017. Em 2015, foram 829 e, em 2016, 3.368.
É por Roraima que entra a maioria dos venezuelanos que optam por fugir para o Brasil. Eles chegam de ônibus. A capital Boa Vista conecta a única cidade que existe na fronteira com a Venezuela ao restante do país. Há apenas um ponto de passagem em uma única rodovia. Do lado da fronteira brasileira está a cidade de Pacaraima, com pouco mais de 10 mil habitantes. Do lado venezuelano, Santa Elena de Uiarén, com cerca de 25 mil habitantes. Da fronteira até Boa Vista ........... pouco mais de 200 quilômetros.
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O Brasil possui mais de 15 mil quilômetros de fronteiras com outros territórios. As cidades que servem de ponto de passagem entre diferentes países, geralmente, ............ características muito peculiares, que não se repetem. Mas também há algumas similaridades. Via de regra, fronteiras são locais com pouca infraestrutura. São poucas as cidades fronteiriças que possuem infraestrutura de comunicação, aeroporto, rede de hotéis ou sistemas de Educação e saneamento básico adequado. “A maioria das cidades de fronteira que existem no Brasil tem esse quadro de abandono relativo ao isolamento por conta da falta de ligação com o interior do território brasileiro”, analisa Carneiro, que começou ............. trabalhar com estudo das fronteiras brasileiras durante o mestrado em Geografia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (EFRJ), em 2006.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo o pesquisador, também é normalmente muito baixo em cidades de fronteira quando comparado a outras cidades do estado fronteiriço. “A exceção no Brasil são cidades como Foz do Iguaçu, Uruguaiana e Santana do Livramento, que são cidades atípicas para fronteira, pois possuem uma rede de infraestrutura urbana bem densa. E são essas as cidades de fronteira que os brasileiros normalmente conhecem. Apesar disso, a maior parte delas são muito pouco conhecidas pela maioria da população”, aponta.
(Jornal Correio do Povo. Página 5. 18/3/2018)
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