O bom leitor
Costumamos discutir o que é um bom livro e um bom escritor, mas nos esquecemos de tentar responder o que é um bom leitor. É equivocada a idéia de que quanto mais livros a pessoa ler, melhor. É preciso ter o hábito prazeroso de ler muitos livros, mas bons livros. Além disso, há muita gente que lê muito, mas lê mal.
Num país onde a arrogância dos ignorantes se alastra por todas as classes sociais, estimular a boa leitura deveria ser fundamental. Clássicos, por exemplo, são passados como coisas chatas. Muitos são realmente chatos e outros tantos só deveriam ser lidos depois de certa maturidade. Obrigar um adolescente a ler determinadas obras pode condenar um futuro leitor.
O gosto pela leitura tem de ser transmitido como uma forma de entender a própria vida. O que lemos deve levar-nos a refletir sobre o que ainda não conseguimos pensar profundamente.
Maus leitores também supõem que livro bom tem de ser grande. Há muitos grandes livros, muitos clássicos da humanidade, que são livros ou textos pequenos.
O bom leitor não dá preferência a um gênero, gosta de cartas, diários, memórias, ciente de que boas idéias podem aparecer em qualquer tipo de texto.
Quando há Bienais do Livro, o público lota. Entretanto, muitos não têm orientação nenhuma a não ser as inclinações gerais por algum gênero ou assunto.
O bom leitor sabe que a leitura pode aprofundar sua inteligência e ajudar a enxergar melhor a realidade, resistindo à palermização vigente.
(O Estado de S.Paulo, abr.2004. Adaptado)
De acordo com o texto, pode-se afirmar que, para ser um bom leitor, é preciso