Magna Concursos
1315567 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: IBFC
Orgão: Pref. Divinópolis-MG
Texto I
O texto que segue é um fragmento do romance
O coronel e o lobisomem, de José Cândido de Carvalho:
Pois foi Ponciano arrotar vantagem e aparecer, na boca de um taquaral, aquele pedação de onça que em medida de olho nu ganhava de um garrote em tamanho e peso. João Ramalho, braços no alto, gritou pelo santo nome de Nossa Senhora do Parto e sumiu na macega. Quando dei balancete na situação, vi que estava desprevenido de gente, sem atinar como um sujeito de porte, talqualmente Saturnino Barba de Gato, achou abrigo em mato tão ralinho, quase de não esconder nem preá. Nunca fui desajuizado de enfrentar, em campo aberto, sem maiores instruções e preparo de armas, tanto peso de onça. Sem outra espingarda que não a minha, desguarnecido de costas, piquei a navegação, um cavalinho de lombo educado e boca macia. O bichinho, atingido na curva da virilha, relinchou, ficou nas patas do coice, deu meia volta e levou Ponciano a sítio seguro – um pantaneiro de água choca onde ninguém nem perto passava por ser covil de vermina e miasma. Se não sou expedito de sela, e não sei domar uma rédea, o tremedal dava cabo dos meus dias, pois lama sugadora nunca conheci outra de tamanha ganância. Cheguei ao Sobradinho mais água podre do que gente, numa dianteira de uma hora sobre os assustados da onça. Feita a mudança de roupa e lavagem da barba, a primeira deliberação que tomei foi sustar o cabrito:
-Sem-vergonha não come na minha mesa.
Em língua de urtiga recebi os medrosos. Vieram de rabo encolhido, vela murcha, sem vento e sem fala. Larguei de lado os veludos dos frades, as boas educações do Foro e foi um arrazoado de vazar a sala, entrar no corredor e sair na cozinha. Recriminei o covardismo deles todos até gerações passadas e por passar. Cada torcida da barba vinha acapangada de um vitupério:
-Gente desbriada! Se não sou homem de patente, com preparo de guerra, a onça fazia uma desgraça.
(José Cândido de Carvalho. O coronel e o lobisomem. 8.ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1971. p 46-47) 21)
Texto II
Inibição
(Cecília Meireles)
Vou cantar uma cantiga,
vou cantar – e me detenho:
porque sempre alguma coisa
minha voz está prendendo
Pergunto à secreta Música
porque falha o meu desejo,
porque a voz é proibida
ao gosto do meu intento.
E em perguntar me resigno,
me submeto e me convenço.
Será tardia, a cantiga?
Ou ainda não será tempo...
Texto III
Enunciado 1315567-1
Texto IV
“Saber gramática”, ou mesmo “saber português”, é geralmente considerado privilégio de poucos. Raras pessoas se atrevem a dizer que conhecem a língua. Tendemos a achar, em vez, que falamos “de qualquer jeito”, sem regras definidas. Dois fatores principais contribuem para essa convicção tão generalizada: primeiro o fato de que falamos com uma facilidade muito grande, de certo modo sem pensar (pelo menos, sem pensar na forma do que vamos dizer), e estamos acostumados a associar conhecimento a uma reflexão consciente, laboriosa e por vezes dolorosa. Segundo, o ensino escolar nos inculcou, durante longos anos, a ideia de que não conhecemos a nossa língua; repetidos fracassos em redações, exercícios e provas não fizeram nada para diminuir esse complexo.”
(PERINI, Mário A. Sofrendo a Gramática. 3. ed. São Paulo: Ed. Ática, 2003, p. 11)
A observação atenta da forma, objetivos e usos dos textos I, II, III e IV que compõem esta prova permite concluir que eles:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Professor do Ensino Fundamental - Português

40 Questões