Brasil negro
A população negra, incluindo pardos, igualou-se, nos últimos 30 anos, ao contingente de brancos no Brasil, e continua em avanço. Ainda este ano, o Brasil será um país de maioria negra. É o que mostra estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2006.
Infelizmente, a presença negra continua órfã em qualidade de vida, oportunidade igual de empregos, acesso ao conjunto de ofertas que aciona a ascensão social. Sob certos aspectos, os afro-brasileiros foram deixados ao desamparo, apenas com a carta de alforria. Passaram da senzala à favela. Hoje, respondem por 60,3% de mão-de-obra agrícola, 57% dos postos na construção civil e 59,1% dos serviços domésticos.
As diferenças persistem, menos traumáticas do que na época da abolição da escravatura, no entanto indicativas de preconceito implícito. As políticas públicas avançaram a passo lento, mas a igualdade racial desejável numa democracia plena é meta distanciada, a depender da vontade política de governantes.
Para enfrentar o quadro de distorções, o Brasil terá de passar da retórica à ação, das meras declarações de intenções a práticas substantivas, neste e em outros futuros governos, se quiser de fato vencer de vez as barreiras da desigualdade, mormente em relação aos negros, que representam agora 49,5% da população, contra 49,7% de brancos.
Esta proporção deverá influir no direcionamento de programas sociais. O Bolsa Família, as cotas reservadas a negros, pardos e índios em universidades já esgotaram a sua capacidade de absorção. São significativos, é certo, mas avultam paralelamente outros programas de adaptação do negro a uma sociedade livre, com possibilidades de crescimento pessoal e comunitário nos campos social, econômico, cultural e outros.
Há um saldo negativo a ser coberto. Estudo pedido pela Secretaria Especial de Igualdade Racial, da Presidência da República, demonstrou que a distribuição da população negra no Brasil reflete ainda hoje o perfil da ocupação do país, com uma grande parcela negra concentrada na região dos portos, que atuaram como receptores de escravos: São Luís, Salvador, Recife e Rio de Janeiro. Salvador tem 54,8% de pardos. São dados imprescindíveis à imediata elaboração de políticas redutoras de desigualdades.
(A Tarde, 15/05/2008)
Assinale a opção incorreta em relação às idéias do texto.
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