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Quando não está em um laboratório, envolvida em pesquisas sobre a resposta do sistema imune à leptospirose, a biomédica Lourdes Isaac está tecendo colchas e tapetes, cuidando do jardim ou cozinhando. Ela explica que essas atividades lhe permitem se desligar da rotina estressante na universidade. “Muitas vezes nossos objetivos de estudo são abstratos ou podem demorar para se concretizar. Com a tecelagem, após alguns dias, um emaranhado de fios lineares se transforma em um tecido com textura e cores que não existiam, o que é bastante gratificante”, diz Lourdes.

No início, ela conta que se sentia culpada por ter interesses não relacionados à prática científica. Com o tempo, percebeu que poderia encaixá-los em sua rotina. Como Lourdes, muitos cientistas têm dificuldade de se afastar das demandas envolvendo as atividades de docência e pesquisa e investir em interesses pessoais. Em média, os pesquisadores chegam a trabalhar 80 horas por semana, sem pausa nos fins de semana e feriados. A conclusão é de um levantamento feito pela revista Nature em 2016. No entanto, nos últimos anos, estudos apresentaram evidências indicando que a busca por satisfação em atividades de lazer praticadas regularmente pode ser uma forma de aliviar o estresse mental, melhorar o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, aumentar a produtividade e aprimorar a capacidade criativa dos pesquisadores, auxiliando-os no desenvolvimento de soluções inovadoras para suas investigações.

Outro estudo, publicado quatro anos antes, constatou que os ganhadores do prêmio Nobel são quase duas vezes mais propensos a ter passatempos relacionados às artes ou a trabalhos manuais do que outros integrantes da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos ou da Royal Society, do Reino Unido. O estudo tomou como base dados publicados em autobiografias, biografias e obituários dos pesquisadores. “Forçar o cérebro a desempenhar atividades não relacionadas às tarefas de pesquisa pode contribuir para ampliar a flexibilidade cognitiva”, afirmou à Nature o psicólogo Dean Simonton.

(Rodrigo de Oliveira Andrade. Ócio criativo. https://revistapesquisa.fapesp.br, ago. 2018. Adaptado)

Com relação às informações apresentadas no texto sobre a ocupação de pesquisadores no tempo livre, é correto afirmar que

 

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