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1196729 Ano: 2004
Disciplina: Português
Banca: ITA
Orgão: ITA
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TEXTO 2

A Universidade é só o começo

Na última década, a universidade viveu uma espécie de milagre da multiplicação dos diplomas. O número de graduados cresceu de 225 mil no final dos anos 80 para 325 mil no levantamento mais recente do Ministério da Educação em 2000.

A entrada no mercado de trabalho desse contingente, porém, não vem sendo propriamente triunfal como uma festa de formatura. Engenheiros e educadores, professores e administradores, escritores e sobretudo empresários têm sussurrado uma frase nos ouvidos dessas centenas de milhares de novos graduados: "O diploma está nu".

Passaporte tranqüilo para o emprego na década de 80, o certificado superior vem sendo exigido com cada vez mais vistos.

Considerado um dos principais pensadores da educação no país, o economista Cláudio de Moura Castro sintetiza a relação atual do diploma com o mercado de trabalho em uma frase: "Ele é necessário, mas não suficiente". O raciocínio é simples. Com o aumento do número de graduados no mercado, quem não tem um certificado já começa em desvantagem.Conselheiro-chefe de educação do Banco Interamericano de Desenvolvimento durante anos, ele compara o sem-diploma a alguém "em um mato sem cachorro no qual os outros usam armas automáticas e você um tacape". Por outro lado, o economista- educador diz que ter um fuzil, seja lá qual for, não garante tanta vantagem assim nessa floresta.

Para Robert Wong, o diagnóstico é semelhante. Só muda a metáfora. Principal executivo na América do Sul da Korn/Ferry International, maior empresa de recrutamento de altos executivos do mundo, ele equipará a formação acadêmica com a potência do motor de um carro.

Equilibrados demais acessórios, igualado o preço, o motor pode desempatar a escolha do consumidor. "Tudo sendo igual, a escolaridade faz a diferença."

Mas assim como Moura Castro, o head hunter defende a idéia de que um motor turbinado não abre automaticamente as portas do mercado.

Wong conta que no mesmo dia da entrevista à Folha [Jornal Folha de S. Paulo] trabalhava na seleção de um executivo para uma multinacional na qual um dos principais candidatos não tinha experiência acadêmica. "É um self-made man."

Brasileiro nascido na China, Wong observa que é em países como esses, chamados "em desenvolvimento", que existem mais condições hoje para o sucesso de profissionais como esses, de perfil empreendedor. (...)

(Cassiano Elek Machado: A universidade é só o começo. Folha de S. Paulo, 27/07/2002. Disponível na Internet: http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse. Data de acesso: 24/08/2004)

Considere o uso do particípio nas frases abaixo, extraídas do Texto 2:

I. Considerado um dos principais pensadores da educação no país, o economista Claúdio de Moura Castro sintetiza a relação atual do diploma com o mercado de trabalho em uma frase (…).

II. Equilibrados demais acessórios, igualado o preço, o motor pode desempatar a escolha do consumidor.

III. Brasileiro nascido na China, Wong observa que é em países como esses (…).

Considere ainda a seguinte regra gramatical: “[…] a oração de particípio tem sujeito diferente do sujeito da oração principal e estabelece, para com esta, uma relação de anterioridade.”

(Cunha, C.; Cintra, L. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985:484)

Esta regra se aplica

 

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