O que se opõe à nossa cultura de excessos e complicações é a vivência da simplicidade, a mais humana de todas as virtudes, presente em todas as demais.
A simplicidade exige uma atitude de anticultura, pois vivemos enredados em todo tipo de produtos e de propagandas. A simplicidade desperta-nos para viver consoante nossas necessidades básicas. Se todos perseguissem esse preceito, a Terra seria suficiente para todos. Bem dizia Gandhi: “Temos de aprender a viver mais simplesmente para que os outros simplesmente possam viver”.
A simplicidade sempre foi criadora de excelência espiritual e de liberdade interior, sempre foi o apanágio de todos os sábios e santos. De fato, extremamente simples eram Buda, Jesus, Francisco de Assis e Gandhi, entre outros.
Como hoje tocamos já nos limites da Terra, se quisermos continuar a viver sobre ela, precisamos seguir o evangelho da ecossimplicidade, bem resumida nos três “erres” propostos pela Carta da Terra: “reduzir, reutilizar e reciclar” tudo o que usamos e consumimos.
Trata-se de fazer uma opção pela simplicidade voluntária, que é um verdadeiro caminho espiritual. A fé faz-nos entender que nosso trabalho, por simples que seja, é incorporado ao trabalho do Criador, que em cada momento ativa as energias que produzem o processo de evolução.
A esperança assegura-nos que, se as coisas tiveram futuro no passado, continuarão a ter no presente.
A ecossimplicidade faz-nos descobrir o amor como a grande força unitiva do universo. Esse amor faz que todos os seres convivam e complementem-se. Na modernidade, nós nos imaginávamos o sujeito do pensamento; e a Terra, o seu objeto. A nova cosmologia afirma-nos que a Terra é o grande sujeito vivo que por nosso intermédio sente, ama, pensa, cuida e venera.
Ao sentirmo-nos Terra, vivemos uma experiência de não dualidade, que é expressão de uma radical simplicidade. Algo da montanha, do mar, do ar, da árvore, do animal, do outro e de Deus está em nós. Formamos o grande Todo.
Uma história moderna dá corpo a essas reflexões. Certa feita, um jovem iniciante na ecossimplicidade foi visitado, em sonho, pelo Cristo ressuscitado e cósmico. Este o convidou para caminharem juntos pelo jardim. Depois de andarem por longo tempo, observando, encantados, a luz que se filtrava por entre as folhas, perguntou o jovem: “Senhor, quando andavas pelos caminhos da Palestina, disseste, certa feita, que voltarias um dia com toda a tua pompa e com toda a tua glória. Está demorando tanto essa tua volta! Quando, finalmente, retornarás, de verdade, Senhor?”. Depois de momentos de silêncio que pareciam uma eternidade, o Senhor respondeu:
― Meu irmão, quando, para ti, minha presença no universo e na natureza for tão evidente quanto a luz que ilumina este jardim; quando minha presença sob a tua pele e no teu coração for tão real quanto a minha presença aqui e agora; quando não precisares pensar mais nela nem fazeres perguntas como essa que fizeste, então, meu irmãozinho querido, eu terei retornado com toda a minha pompa e com toda a minha glória.
Internet: <http://leonardoboff.com> (com adaptações).
É apresentada a seguinte frase. “Depois de momentos de silêncio que pareciam uma eternidade, o Senhor respondeu”. Em seguida, vem a resposta de Jesus, no último parágrafo. Com relação a essa passagem do texto, assinale a alternativa incorreta.