O trecho a seguir é um fragmento de Vidas Secas, obra de Graciliano Ramos. Leia-o para responder à questão.
“Fabiano tinha ido à feira da cidade comprar mantimentos. Precisava sal, farinha, feijão e rapaduras. Sinhá Vitória pedira além disso uma garrafa de querosene e um corte de chita vermelha. Mas o querosene de seu Inácio estava misturado com água, e a chita da amostra era cara demais.
Fabiano percorreu as lojas, escolhendo o pano, regateando um tostão em côvado, receoso de ser enganado. Andava irresoluto, uma longa desconfiança dava-lhe gestos oblíquos. À tarde puxou o dinheiro, meio tentado, e logo se arrependeu, certo de que todos os caixeiros furtavam no preço e na medida: amarrou as notas na ponta do lenço, meteu-as na algibeira, dirigiu-se à bodega de seu Inácio, onde guardara os picuás.
Aí certificou-se novamente de que o querosene estava batizado e decidiu beber uma pinga, pois sentia calor. Seu Inácio trouxe a garrafa de aguardente. Fabiano virou o copo de um trago, cuspiu, limpou os beiços à manga, contraiu o rosto. Ia jurar que a cachaça tinha água. Porque seria que seu Inácio botava água em tudo?”
Fonte: RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. São Paulo: Martins, 1974, p. 62.
Observe que o texto é uma narrativa, pois conta uma história de que participam personagens envolvidas num enredo num determinado tempo e também num espaço. À fala da personagem denominamos discurso, o qual pode ser elaborado de diferentes maneiras. O discurso que aparece no trecho “Porque seria que seu Inácio botava água em tudo?”, do romance Vidas Secas é o: