Magna Concursos
2467059 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Textos para a questão.

Texto I


A civilização deu uma importância extraordinária à escrita e, muitas vezes, quando nos referimos à linguagem, só pensamos nesse seu aspecto. É preciso não perder de vista, porém, que lhe há ao lado, mais antiga, mais básica, uma expressão oral.

A rigor, a linguagem escrita não passa de um sucedâneo, de um ersatz da fala. Esta é que abrange a comunicação linguística em sua totalidade, pressupondo, além da significação dos vocábulos e das frases, a entoação, os elementos subsidiários da mímica, incluindo-se aí o jogo fisionômico. Por isso, para bem se compreender a natureza e o funcionamento da linguagem humana, é preciso partir da apreciação da linguagem oral e examinar, em seguida, a escrita como uma espécie de linguagem mutilada, cuja eficiência depende da maneira por que conseguimos obviar à falta inevitável de determinados elementos expressivos.

Joaquim Mattoso Câmara Jr. Manual de expressão oral e escrita. 27.ª ed. Petrópolis: Vozes, 2010.

Texto II

A palavra falada é imediata, local e geral. Quando falamos, falamos para ser ouvidos imediatamente, com quem está ali ao pé de nós, e de modo a que sejamos facilmente entendidos dele, que sabemos quem é, ou calculamos que sabemos, e que pode ser toda a gente, devendo nós pois falar como se fosse qualquer. A palavra escrita é mediata, longínqua e particular. Quando escrevemos, dirigimo-nos a quem não nos vai ouvir, que é ler, logo; a quem não está ao pé de nós; a quem poderá entender-nos e não a quem tem que entender-nos, tendo nós pois primeiro que o entender a ele.

Em resumo, a palavra falada é um fenômeno social, a escrita um fenômeno cultural; a palavra falada um fenômeno democrático, a escrita um aristocrático. São diferentes em substância: são pois forçosamente diferentes os seus respectivos meios e fins. (…)

Na palavra falada, temos que ser, em absoluto, do nosso tempo e lugar; não podemos falar como Vieira, pois nos arriscamos ou ao ridículo ou à incompreensão. Não podemos pensar como Descartes, pois nos arriscamos ao tédio alheio.

A palavra escrita, ao contrário, não é para quem a ouve, busca quem a ouça; escolhe quem a entenda, e não se subordina a quem a escolhe.

Fernando Pessoa. A língua portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 56-7 e 72.

No que se refere aos sentidos dos textos I e II, julgue (C ou E) o item a seguir.

Conclui-se do desenvolvimento das ideias do texto II que a “palavra falada” subordina o falante ao seu interlocutor, ao passo que a “palavra escrita” confere ao escritor liberdade de expressão.

 

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