Magna Concursos
1440144 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: IMA
Orgão: Pref. Tufilândia-MA
Provas:

AS QUESTÕES 1 A 10 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO


  • Para muitos, ciência e religião estão permanentemente em guerra. Desde a famosa crise
  • entre Galileu Galilei e a Inquisição, no século 17, quando o cientista foi forçado a abjurar sua
  • convicção de que o Sol e não a Terra era o centro do cosmo, razão e fé aparentam ser incompatíveis.
  • Aos crentes, a religião oferece não só apoio espiritual em momentos difíceis e uma comunidade
  • fraterna e acolhedora, mas também respostas a questões de caráter fundamental e misterioso, como a
  • origem do Universo, da vida ou da mente.
  • Na sua maioria, as respostas são relatadas em textos sagrados, escritos por homens que
  • recebem a sabedoria por meio de um processo de revelação sobrenatural, de Deus (ou dos deuses)
  • para os profetas. Para as pessoas de fé, é absurdo contestar a veracidade desses textos, visto que são
  • expressão direta da palavra divina.
  • A atitude descrita acima faz parte da ortodoxia de muitas religiões. Nem todos os crentes
  • adotam uma posição tão radical com relação à veracidade, ou literalismo, dos textos sagrados. Uma
  • posição mais comum é interpretar os textos como representações simbólicas, um corpo de narrativas
  • dedicadas a construir uma realidade espiritual baseada em certos preceitos morais. Galileu criticou os
  • teólogos católicos, dizendo que a função da Bíblia não é explicar os movimentos dos planetas, mas
  • como obter a salvação eterna. ("Não é explicar como os céus vão, mas como se vai para o Céu.")
  • A adoção de uma postura menos ortodoxa permite uma visão de mundo menos radical, onde
  • a religião e a ciência podem viver em harmonia, cada uma cumprindo sua missão social. O conflito
  • entre as duas não é, de forma alguma, necessário. Basta saber distinguir o que uma ou outra pode e
  • não pode fazer. Isso serve também aos cientistas, em especial aos que têm atitudes ortodoxas contra a
  • religião.
  • Acho extremamente ingênuo imaginar ser possível um mundo sem religião. Ingênuo e
  • desnecessário. A função da ciência não é tirar Deus das pessoas. É oferecer uma descrição do mundo
  • natural cada vez mais completa, baseada em experimentos e observações que podem ser repetidos ou
  • ao menos contrastados por vários grupos. Com isso, a ciência contribui para aliviar o sofrimento
  • humano, seja ele material ou de caráter metafísico.
  • A distinção essencial entre ciência e religião está no que cada uma delas pressupõe ser a
  • natureza da realidade. Enquanto a religião adota uma realidade sobrenatural coexistente e capaz de
  • interferir com a realidade natural, a ciência aceita apenas uma realidade, a natural. Aqui aparece a
  • razão principal do conflito entre as duas. Para a ciência não é preciso supor que o que ainda não é
  • acessível ao conhecimento necessite de explicação sobrenatural. O que não sabemos hoje pode, em
  • princípio, vir a ser explicado no futuro. Em outras palavras, a ciência abraça a ignorância, o não-
  • saber, como parte necessária de nossa existência, sem lançar mão de causas sobrenaturais para
  • explicar o desconhecido.
  • Sem dúvida, esse tem sido o seu caminho: explicar de forma clara e racional um número
  • cada vez maior de fenômenos naturais, do funcionamento dos átomos à formação de galáxias e a
  • transmissão do código genético entre os seres vivos. As tecnologias que tanto definem a vida
  • moderna, da revolução digital aos antibióticos, dos meios de transporte ao uso da física nuclear no
  • tratamento do câncer, são fruto desse questionamento. Negar isso é tentar olhar para o mundo de
  • olhos fechados.
  • A conciliação entre ciência e religião só ocorrerá quando ficar claro o papel social de cada
  • uma. Negar uma ou outra é ignorar que o homem é tanto um ser espiritual quanto racional.
  • Marcelo Geiser

    Exerce a mesma função sintática de “dos planetas” (L.15).

     

    Provas

    Questão presente nas seguintes provas