Mario Quintana escreveu que, quando tinha dezesseis, dezessete anos, evitava qualquer menção de local, qualquer laivo bairrista em seus contos, para que estes pudessem ser lidos sem dificuldades em traduções francesas. Eis aí como eram os adolescentes do seu tempo: viviam em Paris. Enquanto isto, no interior do seu estado, Simões Lopes Neto escrevia em português, ou antes em brasileiro, ou melhor ainda em linguagem guasca, os contos gauchescos e as lendas do sul — belas histórias tão tipicamente nossas, porém de gabarito universal.
A indústria discográfica foi talvez o setor que mais evidenciou a importância da cultura local e movimento do nativismo, dos anos 80, dentro da indústria cultural gaúcha, pois todos os festivais registrados pelo Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF) tinham edição discográfica.
Os dados coletados acerca da produção de discos revelam um número de aproximadamente 650 mil cópias, no qual não se incluíam festivais de grande porte. Na análise desses dados referentes à época em que os veículos de comunicação começaram a dar cobertura aos eventos nativistas ou a abrir espaço em sua programação para esse tipo de manifestação, pode-se constatar que, à exceção do rádio, a indústria cultural como um todo foi retardatária no acompanhamento do processo.
Internet: <www.bocc.ubi.pt> (com adaptações).
Considerando o texto e o tema por ele abordado, julgue o item a seguir.
Na década de 1980, o movimento nativista desencadeou a discussão sobre a cultura regional no Rio Grande do Sul e foi o ponto-chave para a discussão acerca da relação entre a indústria cultural e a cultura regional.