Leia o texto para responder às questões de números 06 a 10.
Crianças
O Brasil me aparece como o paraíso das crianças. Estranha-me o sorriso do garçom de um restaurante luxuoso tragicamente atrapalhado no serviço por uma turma de meninos correndo entre as mesas. E também que nenhum cliente pareça se incomodar com o barulho do qual não dava para suspeitar que estivesse incluído no preço.
Surpreende-me, durante uma festa em casa, a chegada de mais um casal convidado, com crianças pequenas implicitamente não convidadas. Aqui é uma graça. Na Europa, salvo laços de amizade férreos, seria uma imperdoável grosseria.
Num hotel cinco estrelas é exigido que exista uma sala de jogos eletrônicos para as crianças e que sejam previstas atividades infantis. Assusta-me a insistência sobre a necessidade do lúdico na aprendizagem. Em algumas das melhores escolas privadas, decorar é considerado tortura. Assombra- -me a importância que assume o programa das crianças na vida cotidiana: os pedidos alimentares de pratos e bebidas especiais, as saídas, as vindas dos amigos... O adulto brasileiro parece constantemente preocupado com o prazer das suas crianças.
Brevemente: a criança é rei.
Curioso, tanto mais num país cuja reputação no estrangeiro está comprometida com legiões de crianças abandonadas na rua.
(Contardo Calligaris. In: Hello Brasil! Notas de um psicanalista europeu
viajando ao Brasil. Editora Escuta, 1991)
Na frase “Assusta-me a insistência sobre a necessidade do lúdico na aprendizagem” (3º parágrafo), o trecho destacado poderia ser corretamente substituído por