Os utensílios caseiros dos brasileiros são muito
poucos, de maneira que, quando mudam de domicílios ou
saem peregrinando, a mulher tudo leva consigo, carregada
como uma mula, sempre acompanhando o marido. O
principal utensílio é a rede, que eles mesmos chamam de ini,
os lusitanos, rede, os belgas hangemach, vulgarmente
hamacca, na qual dormem, presa às traves numa e noutra
extremidade, com auxílio delas. Porém são feitas estas redes
de fios de algodão, compridas de seis ou sete pés, largas de
quatro. Também as mulheres lusitanas fabricam, com
elegância, amplas redes fiadas com várias figuras. Os tapuias
cariris fazem compridas de doze ou quatorze pés, largas de
seis ou sete, de modo que quatro homens possam deitar
juntamente nelas, como afirma Jorge MacGrav, que viveu no
Nordeste do Brasil, entre 1638 e 1644.
Luís da Câmara Cascudo. Rede de dormir: uma pesquisa etnográfica. Rio de Janeiro: Global, 2003 (com adaptações
Com base no texto acima, julgue os itens que se seguem.
No texto, há menção crítica à exploração da mulher pelo homem, no Brasil.