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1478325 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Crescer
Orgão: Pref. Campo Largo Piauí-PI
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AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO

TEXTO


1 __Já faz tempo que nos olvidamos de ser gente. O estresse da vida moderna nos distanciou. No dia a dia, ninguém

2 mais tem tempo. Cada um vai para o seu lado construir e viver o mundo de suas próprias circunstâncias, na sequência

3 natural do ideário de vida que escolheu.

4 __A tecnologia, produto acabado da ciência e da engenharia, nos envolve em um monte de instrumentos físicos e

5 lógicos, e chegam às nossas vidas sob a forma de computadores, tablets e celulares que, com seu inúmeros “apps”, nos

6 tragou, e no silêncio jogou fora o saudável intuito de sermos gregários.

7 __Com isso a Grei, a irmandade antiga, plasmada pelo "homo sapiens", o homem sábio, entrou em colapso com o

8 avanço tecnológico. Tudo mudou e muda celeremente: o mundo tecnológico tem pressa e somos forçados a acompanhar.

9 __A revolução cognitiva, no entanto, entrou em choque com a inata capacidade que somente o nosso cérebro possui

10 dentre todos os animais, e nos permite agregar-nos em conjuntos humanos organizados - homem, mulher, filhos, amigos,

11 vizinhos etc., dando ao homem a capacidade de se tornar independente, em relação às suas limitações biológicas.

12 __Deixando a profundidade de lado, como diria Belchior, o homem dos primeiros tempos, vivendo a "grei", em

13 seus pequenos espaços estabeleceu regras para a sua própria humanização. Deixou para trás a antropofagia e se uniu para

14 vencer a fome e as intempéries da natureza, e forçosamente criou formas para viver como gente, nessa viagem fantástica

15 de sequência da vida.

16 __Nos seringais, os soldados da borracha alojavam-se nos tapiris para extração do látex, e viviam praticamente

17 como o homem de Neanderthal: vida insólita, doida, parida do ventre da pobreza humana, despidos dos bens elementares

18 da vida para serem viventes comuns entre as feras da natureza.

19 __Já nos fins de safras, a história era outra. Eles desciam o rio, abonavam-se com a venda do produto, e se tornavam

20 novamente gregários, mas desta vez com as "mulheres de vida fácil" – tudo para sentir que não perdiam a ternura, nem o

21 jeito de enxergar os prazeres da vida, e até rezavam: “Padre nosso pequenino me afaste do mau olhado, das serpentes e

22 da praga do mau vizinho”.

23 __No início do inverno, quando a chuva, impiedosamente, castigava, inundando a "picada" e as “colocações” da

24 seringa que lhe davam acesso às arvores das quais sobrevivia, voltavam às famílias.

25 __Nelas, ainda no sentimento gregário da época, pediam benção aos mais velhos e “respeitavam” as donzelas. A

26 virgindade, aliás, era um instituto genuinamente reconhecido. Dela cuidavam o pai, a mãe, os irmãos, a irmã, os vizinhos,

27 o padre, mas nem sempre a própria donzela, porque às vezes ela se descuidava e se emprenhava do boto tucuxi... E aí,

28 babau!

29 __Mas, com a chegada da modernidade, a avidez do consumo tomou conta de todos nós, tornando-nos uma legião

30 de estressados, portanto desagregados. Desumanizamos a grei conquistada e colocamos em seu lugar o domínio do celular,

31 com o Facebook, o WhasApp, o Instagram, o Twiter...

32 __Agora, em casa, cada um se isola no seu mundo virtual e parece que não precisamos uns dos outros, que nunca

33 adoecemos, que não precisamos de afeto, muito menos de dialogar FACE A FACE. Que na casa não existem velhos ou

34 crianças, que todos estão “por dentro” e são iguais perante a lei do mundo cibernético. E como não se olham, não se

35 beijam, não se cumprimentam, desagregaram-se completamente. A mesa de jantar agora é o ponto do lado do computador

36 ou do celular. Parece até que a gente nem se gosta mais!

37 __Os afazeres da casa ainda são da mãe e do pai, os únicos que sobraram da farra cibernética e, por isso, ficaram

38 de fora também do “aparato bélico” do mundo virtual.

39 __Gosta-se, hoje, muito mais dos amigos de outro mundo, o virtual, do que os de sua própria grei. Dos de casa,

40 nem se diga!

41 __A modernidade, como se vê, foi paradoxal. Avançou, facilitou, mas deixou no ar vestígios de ruindade. Já não

42 há mais tempo para as tarefas escolares em casa, as crianças enjaularam-se nos quartos, apressadas para o combate dos

43 jogos, ou a sintonia dos canais dos yotubers preferidos. Na verdade, quando muito dizem "oi" e passam. E o linguajar é

44 um atentado violento ao pudor: "Tem problema, véi", Tá “me tirando” mano.... “tua mente tá bugada" – um Deus nos

45 acuda!

46 __E tudo isso é contributo do estresse cibernético e da vida moderna sem ternura. Da perplexidade do consumo, da

47 falta do diálogo das crianças e adolescentes da “geração Z”, que disputam as melhores griffes do aparato eletrônico. E

48 haja dinheiro no bolso dos papais para atender às suas demandas, senão é confusão na certa.

49 __E o pior, é que, no atropelo, os “conectados” chamam os mais velhos de retrógados, de burros. Dir-se-ia a

50 avacalhação do homem gregário e o surgimento dos vassalos da cibernética, teclando no mundo da lua. [...]

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POR ARIMAR SOUZA DE SÁ – FONTE: http://rondonoticias.com.br/noticia/cultura/17999/o-estresse-cibernetico-e-avida-moderna-sem-ternura-por-arimar-souza-de-sa

Uma análise dos elementos linguísticos que compõe o texto permita afirmar

 

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